quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

COMO? COMO? COMO?

Como é que neste mundo-da-curta-duração eu conseguirei ler um romance russo do começo ao fim? Terei de me contentar com mini-poemas em caixas de fósforo.

Como é que neste mundo-do-instântaneo eu consgeuirei manter uma amizade por mais de cinco primaveras? Terei de me contentar com as pessoas que me alegram as horas de trânsito em transportes públicos.

Como é que neste mundo-do-imediato eu conseguirei construir pensamentos sólidos e edificar um caráter corente? Terei de me contentar em ser tragada pela multidão e ser um autômato.

A última ideia faz minha alma se revolver; não é para ser assim, não pode ser assim.

Terei é de pensar em uma solução para as desgraças da vida contemporânea.

DESCOBERTA

~~~ A ousadia é a rotina da invenção;

POTENCIAL CONCENTRADO

E não é que a Agência Fapesp sempre traz as melhores notícias de inovação científica?

~http://www.agencia.fapesp.br/materia/10483/noticias/potencial-concentrado.htm

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

EO> parte 1

~Vamos então ao que me tocou:

".. o pedestal antropológico sobre o qual se constituirão todas as exortações a um mundo novo e no qual está aparafusada uma certeza fundamental: os homens, que se perdem por desejar, melhor fariam se se limitassem às suas necessidades. Num mundo em que o húbris do desejo for amordaçado, poderá nascer uma organização social nova, isenta de lutas, opressões e hierarquias deletérias."

"Aparentemente, de vez em quando os adultos têm tempo de sentar e comtemplar o desastre que é a vida deles. Então se lamentam sem compreender e, como moscas que sempre batem na mesma vidraça, se agitam, sofrem, definham, se deprimem e se interrogam sobre a engrenagem que os levou ali aonde não queriam ir."

".. é simples entender. O problema é que os filhos acreditam nos discursos dos adultos e, ao se tornar adultos, vingam-se enganando os próprios filhos. 'A vida tem um sentido que os adultos conhecem' é a mentira universal em que todo mundo é obrigado a acreditar. Quando, na idade adulta, compreende-se que é mentira, é tarde demais. O mistério permance intacto, mas toda a energia disponível foi gasta há tempo em atividades estúpidas. Só resta anestesiar-se, do jeito que der, tentado ocultar a fato de que não se encontra nenhum sentido na própria vida e enganando os próprios filhos para tentar melhor se convencer."

".. uma juventude tentando rentabilizar sua inteligência, espremer como um limão o filão dos estudos e garantir uma posição de elite, e depois uma vida inteira a se indagar com pavor por que essas esperanças desembocaram numa vida tão inútil. As pessoas creem perseguir as estrelas e acabam como peixes-vermelhos num aquário. Fico pensando se não seria mais simples ensinar desde o início às crianças que a vida é absurda. Isso privaria a infância de alguns bons momentos, mas faria o adulto ganhar um tempo considerável - sem falar que, pelo menos, seríamos poupados de um traumatismo, o do aquário."

".. ninguém parece ter pensado no fato de que, se a existência é absurda, ser brilhantemente bem-sucedido tem tanto valor quanto fracassar. É apenas mais confortável. E mais: acho que a lucidez torna o sucesso amargo, ao passo que a mediocridade espera sempre alguma coisa." "Pensando bem, estamos programados para acreditar no que não existe, porque somos seres vivos que não querem sofrer. Então não vamos gastar todas as nossas forças para nos convencer de que há coisas que valem a pena e de que é por isso que a vida não tem sentido." "Os adultos têm uma relação histérica com a morte, que toma proporções enormes, eles fazem um escarcéu, quando na verdade é o acontecimento mais banal do mundo."

"O que me importa mesmo não é a coisa, é o modo de fazer."

LIVROS

Há livros que interferiram no meu modo de ver o mundo. E não são apenas óculos que enegreceram minhas vistas, ou cor-de-rosa, com capacidade de tornar tudo mais suave, mais alegre.
Estes livros são lentes da verdade, que me fizeram enxergar as coisas como são, me fizeram ver o que há de mais real para se ver.

Um livro em especial, aquele que estou lendo atualmente, está alterando a composição da minha essência. Sutilmente.
Chama-se a Elegância do Ouriço.

Na próxima postagem, irei reproduzir as passagens mais brilhantes dessa obra-prima da literatura.

sábado, 26 de dezembro de 2009

SABER VIVER Nº1

Eu estava aqui, pensando sobre a vida e me ocorreram duas ideias. Uma é a de que a vida nunca está de acordo com aquilo que desejamos que ela seja, e duas, é que frequentemente não estamos cientes do estado de espírito daquele momento, ou seja, jamais sabemos que somos felizes se estivermos felizes naquele instante. O que é extremamente triste e incoerente, diga-se.

Ter consciência de que nossos planos sempre são frustrados é um ponto importante do manual de regras 'saber viver'. De uma forma ou de outra, nossas expectativas não se concretizam e todos - absolutamente todos - os acontecimentos viram surpresa. Fantástico!

E pior, iremos ter plena ciência de que estávamos satisfeitos, descontentes, pulando de alegria, ou quase definhando na melancolia, realmente, depois que passa o ocorrido. É uma regra intrínseca de viver: ou se pensa sobre algo, ou se vive algo, podendo então, sentir e agir. Tirar conclusões claras - sem deturpações - apenas de longe no tempo.

Sim, a vida tende a ser intangível quando se trata de permitir ser domada pelo homem.~

MADURAR

O madurar das frutas não as faz, necessariamente, mais doces.
Assim como a idade não traz ao homem, necessariamente, a sabedoria.
Lembre-se sempre!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

THERE COMES A TIME

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There comes a time, when alone is not enough.


We need love. We need other people.


There comes a time, when alone is not right anymore.


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domingo, 20 de dezembro de 2009

FIEL

Tenho de ser fiel à minha consciência.
Não queira me convencer pelo método da força, não funcionará.
Não tente me convencer com argumentos baratos, não vai dar certo.
Não pense em me convencer daquilo que não é Verdade.
~~~

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ANDO

> Eu ando pelo mundo, vendo cores que não sei o nome.

< Eu ando pelo mundo, vendo vida que não sei se existe.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

WE CAN BELIEVE IN


ALGUÉM

Alguém consegue me explicar por que me sinto tão sozinha?
Alguém consegue me explicar por que me sinto tão entendiada?
Alguém consegue me explicar por que me sinto tão vazia?!

Será falta de gente?
Será falta de rua?
Será falta de mim?!


Não quero mais viver; não mais, não mais.


*Férias não-felizes.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

FOR A REAL DEAL



~ What will be pointed out in Copenhagen? We shall hope for a real deal.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

TRADUZIR-SE

EU POR ADRIANA>

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim, pesa
Pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte noutra parte
Que é uma questão de vida ou morte
Será arte?
Será arte?

(*)

COMODISMO


É uma boa tirar a cabeça do comodismo! De que serve a cabeça-padrão?


IGUALDADE DE GÊNERO~

Que tal escrever sobre esses assuntos?

- De que forma se expressa, em nossas vidas, a desigualdade de gênero?
- E na escola, meninos e meninas são tratados com diferença?
- Por que são tão grandes as diferenças salariais entre homens e mulheres?
- As mulheres se interessam pelas ciências exatas?
- Onde estão as mulheres indígenas e negras na história e nos espaços de poder?
- O que é feminismo? Os homens podem ser feministas?
- O que você acha do conceito de beleza vinculado pela mídia?
- Você acha que a discriminação racial atinge de forma diferente homens e mulheres?
- Qual a importância da Lei Maria da Penha?
- Sexualidade e reprodução devem andar sempre juntas?
- O que é 'orientação sexual'?
- Meninos e homens também engravidam?
- O que é 'identidade de gênero'?
- As travestis e transexuais sofrem discriminação?
- A homossexualidade é uma das possibilidades de vivermos nossa sexualidade?
- Como as mulheres indígenas e ciganas são consideradas na sociedade brasileira?
- As mulheres da cidade, do campo e da floresta têm os mesmos direitos?


>
"Não se nasce mulher: torna-se"
Simone de Beauvoir

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

BORRÃO

Como é que pude estar tão distante das letras nestes últimos tempos?

Nada escrevia. Nada lia. Nada pensava.
Não conseguia mais fazê-los fluir, queridos vocábulos, nem do habitual jeito tosco, nem de jeito algum. Morriam estancados na superfície da alma. Estavam guerreando lá dentro.

Desde sempre, eu concebera que a única falta que poderia valer com as palavras é falta de papel; não esta tediosa falta de vontade, não está repuganante falta de ideias. Isso seria a tragédia pura para aquele que rabisca e escrevinha e escreve!
E esta doença foi logo me atacar..


-

Também é bem verdade que estive no acalento dos números.
E dos intermináveis exercícios requeridos para o vestibular (eca!).
Eu me deleito nas ciências exatas, sim, mas a felicidade proporcionada pela escrita é incomparável. O êxtase profundo encontra-se em revelar a natureza, a natureza humana através do ato de escrever.
Ah! Que saudade eu estava de me derramar inteira aqui, ali e acolá.


-


Estou novamente aqui.
Que poderia ser mais feliz?
Esta é a vida que quero.


-


Para provar meu estado de espírito lúcido, trago Clarice:


Quero escrever o borrão vermelho de sangue

Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.


Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.


Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.


(*)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

resquícios

às vezes penso que há resquícios de você mim. meros vestígios, mas que incomodam pela presença.
você me fez sentir viva, intensamente e por inteiro. outros ainda poderão fazê-lo, decerto. no entanto, cada um que me surge é novo e único, e esta é a razão desse desgosto profundo por sua partida inesperada.
cortou-me a alma, meu caro. que já nem caro mais é, que já nem compõe minhas importâncias. uma pena.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

NADA DE CRIATIVIDADE;

(*)
O vestibular me roubou a alma; espero recuperá-la em breve.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

POR FAVOR

Por favor, eu lhe peço encarecidamente: não tente em hipótese alguma me convencer da impossibilidade de ser subjetiva neste mundo cru.
Eu sou irreal. Eu sou um poema. Eu sou uma caricatura fracionária do humano.
-
Levo a vida flutuando intensamente.
Tudo significa; tudo dói; tudo existe.
Saiba que eu vivo copiosamente desejando adentrar à vida um pouco mais a cada dia transgessor do presente; então, por favor, jamais me diga que a felicidade plena é intangível.
-
Por favor, eu lhe peço encarecidamente: não viole a impenetrabilidade do meu ser individual se não puder me conceder seu amor; se não puder entregar a sua vontade a mim, sem reservas e sem receios.
-
TUDO PORQUE VIVO POR INTEIRO.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

INVEJA;

Há muito que não entendo; há muito ainda a ser sabido. Mas, algo que me intriga profundamente e me deixa com comichões é a questão da inveja.
Por que alguém sente vontade de roubar a vida alheia?
Em minha concepção da bondade humana intrínseca, não há espaço para a maldade explícita, crua e cruel. Então não me é permitido compreender a vontade de alguns em ver o malefício do outro; vontade esta que é normalmente seguida de atitudes desprezíveis e imorais, visando à destruição do invejado.
É notório que este perverso querer está acompanha a Humanidade desde sempre. Segundo a história bíblica, Satanás fora expulso dos céus e em seguida exonerado de seu posto, simplesmente por invejar a Humanidade; já os homens, em sua insignificância, invejaram a Deus, e foram banidos do Paraíso. O mais antigo dos pecados é também a falha de caráter mais aterradora do ser humano; sendo portanto, a raiz de todos os males.
Incrivelmente, algumas pessoas em determinadas circunstâncias, sentem-se tão inferiorizadas que seu único recurso de defesa torna-se desejar a ruína daquele a quem estes gostariam de se assemelhar. Pobres que são os invejosos.
-
Afinal, qual sentimento deve-se nutrir por esta categoria de pessoa? Indiferença? Seria bondoso demais. Dó? Até é possível. Já o desprezo? Este sim é muito provável.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

PEQUENOS BOTÕES

Tu devias ter mais cuidado ao brincar com o coração de uma jovem.
Este é terra fértil; planta-se uma semente e nascem mil flores!
Porém, se os pequenos botões não forem cultivados com ternura, logo fenecem.
E a jovem, exasperada em desespero, murcha lentamente.
Ah, caro meu, não podes perceber que deves apenas semear aquilo que tens a intenção de nutrir, de cuidar, de amar?
Se não a queres, se não deseja teu sorriso, deixe-a ver os campos livremente. Não faças com que ela seque e cesse a permanente vontade da moça de se apaixonar. Permitas que ela viva intensamente./

EMPREENDIMENTO FALIDO>

E eu escrevo nos lenços; para um dia lhe dar todas as palavras que imprimi neles. Junto com todo o amor que despertei de dentro de mim para te amar.
Sabes que essa coisa de amar e adorar é mesmo ingrata; é, ela é.
Não que seja má, e nem que seja boa. É simplesmente inacessível aos que sentem demais.

-
Mas nada de objetividade, eu não sou direta. Não sou pragmática!
Sou entrelaçada entre o sonho e a realidade; imersa naquilo que construí de mim, para mim, em mim. Criança de alma, jovem de coração, velha de mente.
Eu não posso me considerar além de um ser oco e completo pelo vazio; aquele que tudo permeia, e contém toda a imensidão e a eternidade.
Ai como eu me perco na minha densidade! Vou no fundo, já sou o chão. Minha lépida mente brinca no seu caos; dança com a minha perplexidade acerca do mundo, tosco que é, e faz uma mistura única do imaginário, do real, com a minha humanidade latente.

-
Sou muitas em mim! E detesto todas elas, nem meu nome posso mais escrever; ele não mais me define. Ultrapassei a barreira do eu; este acabou ficando em um meio de infância, resquício de adolescência, início de adultice. Agora simplesmente sou.
Não me diga que não me entende; e muito menos que intenta seguir neste – aviso já que é mais do que perdido – empreendimento. Nada seria mais tolo e ingênuo. Se o fizeres, jamais sairás do labirinto sem fim, ficarás preso no espelho invisível, e padecerás no reino da dúvida.
Mas, sabes que eu vejo? Enxergo cada pedaço de cada parte de cada característica de cada detalhe de cada minúcia de cada sutileza de cada efemeridade de cada um; sendo extremamente sensível, eu posso tudo ver.
Fico estupefata com a beleza do mísero. Encanto-me, envolvo-me, delicio-me. E aposto agora com você que sou a única a ver beleza no imperfeito; na falha natural. Ninguém se permitiria ser tão abusivamente heurístico.

-
Sou uma balança descompensada. Pensar demais, e nada sentir. A tudo sentir, nada pensar. Será que é tão complicado obter um pouco de equilíbrio?

domingo, 1 de novembro de 2009

RELATIVISTIC TRAIN

(*)

FEEL IT ALL

My wings are wide; so I feel it all.

:D

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

VÍDEO

~ Música contemporânea de genuína qualidade: http://www.youtube.com/user/lablogotheque?blend=2&ob=4#p/search/2/R781LDKOVJE

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

BELO BELO

Belo belo belo,

Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.

E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,

E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro

Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,

Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.

Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:

Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,

Não quero ser amado.

Não quero combater,

Não quero ser soldado.

— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

Manuel Bandeira

A CIÊNCIA AMADA>

THE GIRL WITH THE PEARL EARRING


A inspiração do pintor holandês Johannes Vermeer foi esta moça, uma camponesa criada de sua casa, chamada Griet; moça esta que é retratada no quadro com o brinco de pérola.
.
(Em que mundo vive o artista? No mundo que ele constrói para si mesmo; no intangível mundo de uma pessoa só.)

I DON'T GET COLD

~ I like my covers to be heavy, so I don't get cold when I sleep.

MULHER COMO ELA>

FRIDA KHALO (1907 - 1954)
"Eu pinto auto-retratos porque eu sou a pessoa que conheço melhor."
Desejo um dia ser mulher como ela.


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

domingo, 25 de outubro de 2009

DIA DO ELMO


TODOS TÊM DIREITO A (UM POUCO DE) CRIANCICE.

ACABOU >

Acabou aquele belo encantamento nosso simplesmente.

Acabou o sorriso alegrinho; acabou a luz lúcida do teu olhar.

.

Talvez os meus pés não combinassem com os seus sapatos.

Talvez a tua boca não combinasse com o meu batom.

.


Acabou minha saudade e a minha doçura para contigo.

Acabou tua brincadeira; acabou o tocar da alma.


.

Talvez o meu pensar não combinasse com as suas crenças.

Talvez a tua insegurança não combinasse com o meu despojamento.

sábado, 24 de outubro de 2009

DESCRIPTION OF MYSELF

Vienna - Billy Joel

Slow down you crazy child
You're so ambitious for a juvenile
But then if you're so smart tell me why
Are you still so afraid?
Where's the fire, what's the hurry about?
You better cool it off before you burn it out
You got so much to do and only
So many hours in a day


But you know that when the truth is told
That you can get what you want
Or you can just get old
You're gonna kick off before you even get halfway through
When will you realize...Vienna waits for you


Slow down you're doing fine
You can't be everything you want to be
Before your time
Although it's so romantic on the borderline tonight (tonight)
Too bad but it's the life you lead
You're so ahead of yourself
That you forgot what you need
Though you can see when you're wrong
You know you can't always see when you're right(you're right)


You got your passion you got your pride
But don't you know that only fools are satisfied?
Dream on but don't imagine they'll all come true
When will you realize
Vienna waits for you


Slow down you crazy child
Take the phone off the hook and disappear for a while
It's alright you can afford to lose a day or two
When will you realize...Vienna waits for you.


And you know that when the truth is told
That you can get what you want
Or you can just get old
You're gonna kick off before you even get halfway through


Why don't you realize...Vienna waits for you
When will you realize...Vienna waits for you.


*The world is just here waiting for me.

DIA DE SALVAR O PLANETA!


Eventos pelos quatro cantos do globo em prol de próprio globo!

COP 15

A Conferência de Copenhagen sobre o clima, a ser realizada em dezembro deste ano, traz em si muitas controvérsias, e, possivelmente terá sua eficácia reduzida se não houver alguma mudança no cenário político do encontro.
~Quem sairá perdendo se nada for resolvido? Nós e o planeta, é claro.


Isto é o que mostra a matéria do jornal Folha de São Paulo deste sábado.
Confira aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2410200901.htm

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

INSIDE OUT

Hello; all is upside down.
Nothing remains the same; and the unbearable truth is that love is just a tool to achieve what we want to conquest.
End.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

GEÓGRAFO DO BRASIL

Matéria sobre seminário de Aziz Ab'Sáber realizado no IEA, na íntegra: http://www.agencia.fapesp.br/materia/11246/especiais/novos-modelos-de-civilizacao.htm

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

DESAPRENDI

Se eu lhe dissesse que desaprendi a escrever, você acreditaria?

Toda a linguagem fluida e clara que um dia tive, esvaiu-se de minhas capacidades.

Necessito me alfabetizar novamente.

Por onde começo? Pelo bê-á-bá?! Talvez, talvez.

A BELEZA DA CIDADE



Poucos são os capazes de entendê-la e amá-la.







CRONOMETRANDO


Meu Universo; minha Universidade.
8 de fevereiro de 2010: a matrícula, o ingresso.

EU SOU; NÃO

Eu não sou uma boa menina.
Eu deveria sê-lo?!
Eu não sei.

Não posso dizer que não sei nada.
Não posso dizer que não quero tudo.
Não posso dizer que não ambiciono o Universo.

Eu não sou uma pessoa perfeita.
Eu deveria sê-lo?!
Eu não sei.

-

Se eu soubesse quem sou, decerto que aqui não estaria.

JÁ DIZIA SARAMAGO..

~Sobre o Livro Sagrado:

"Deus da Bíblia é má pessoa."

"O Deus da Bíblia é vingativo, rancoroso, má pessoa e não é confiável."

"Na Bíblia há crueldade, incestos, violência de todo tipo, carnificinas. Isso não pode ser desmentido; mas bastou que eu o dissesse para suscitar esta polêmica."



~Sobre a Santa Igreja:

"O que eles querem e não conseguem é colocar ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo que diga à pessoa que aquilo não é assim, que é preciso fazer uma interpretação simbólica, e a isto chamam exegese."


*Concluimos então que, quem se diz pessoa de bem deve agradecer ao escritor português por dizer a verdade que ninguém tem coragem de dizer, e por saber exatamente como fazê-lo. OBRIGADA>

terça-feira, 20 de outubro de 2009

.

"Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
Não vivo sozinha porque gosto
E sim porque aprendi a ser só..."

Florbela Espanca

FELICIDADES

Quero uma felicidade desmedida.
Inundada de sorrisos estrelados,
E céus contentes.

Quero uma felicidade pós-anárquica.
A doce ordem ao final do caos.

Quero uma felicidade indiscreta.
Extravasadora do núcleo sinestésico
De minha alma.


(*)

NO MEIO DO CAMINHO


Tinha um cavalo no meio do caminho.
No meio do caminho tinha um cavalo.
Tinha um cavalo no meio do caminho.
No meio do caminho tinha um cavalo.
UM CAVALO>

domingo, 18 de outubro de 2009

A LUTA

Após uma sessão de dois maravilhosos filmes, que tratam sobre mulheres com coragem o suficiente - e um pouco mais - para lutar por aquilo que acreditam, mesmo sob circunstâncias ameaçadoras, acabei me colocando a pensar, em xeque com minhas próprias ideias.


~Quantos não serão os que foram atrás daquilo que os sustenta como verdadeiros seres humanos?

Seja pela liberdade, seja pela verdade, seja pela justiça; eles se moveram além de suas vidas cotidianas e sustentaram aos quatro ventos suas convicções, independente de quanto isto lhes fosse custar. E em muitas das vezes, por se colocar contra o que é vigente e propor mudanças, paga-se um preço altíssimo.



As sufragistas americanas da primeira década do século vinte, organizadas na tutela dos partidos políticos femininos, procuravam estender a democracia a todos, independente de sexo, tentando conceber assim, o direito de voto às mulheres estadunidenses. Estas passariam a escolher seus representantes também; afinal, viviam sob as leis do país, mas não eram sequer consultadas ou convidadas a elaborá-las, portanto, nada mais justo do que fazerem parte do processo.

~Por que as mulheres devem dividir o fardo com os homens e não gozar de direitos ao seu lado?

Foi então estas sufragistas fizeram piquete em frente à Casa Branca - época em que esta era ocupada por Woodrow Wilson -, além de dezenas de comícios e manifestações públicas, utilizando-se de cartazes e faixas no Congresso. Porém, logo após os Estados Unidos declararem sua entrada na Primeira Guerra Mundial, até então a mais temida de todas, houve uma ruptura na ordem geral da sociedade americana; que passou a olhar com maus olhos a estas 'revolucionárias'.

E neste quadro catastrófico, onde o caos se instalava, é que se dá a vitória desta causa. Após mais de 200 voluntárias, as "manifestantes do piquete", terem sido presas - acreditem, acusadas de obstrução de tráfego - e passarem por maus tratos físicos, morais e psicológicos na cadeia, conseguiram atenção da mídia e seu caso ganhou repercussão mundial.

Como poderia o presidente da maior nação democrática do globo sustentar e defender a democracia além de suas fronteiras e negá-la aos cidadãos americanos?

Então, conseguiu-se aprovar no Congresso o sufrágio universal, validando o voto a todo americano e legitimando seu direito de ser representado nas decisões políticas cabíveis a qualquer cidadão.

Isto se deu graças àqueles que, nem por um segundo, titubearam diante de suas crenças.



> Já à segunda história, da jornalista irlandesa Veronica Guerin, dedicarei uma postagem inteira; em breve.

PEQUENINO E DISCRETO


Eu me encanto pelo que há de mínimo no mundo. Por tudo aquilo que é pequenino e discreto. Eu me deleito em perceber a singela beleza no mais simples, no que há de mais sutil.
O encanto do diminuto brilha meu olhos, transita em minha alma e me faz viver mais leve.

A UM AUSENTE

"Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.

Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais gravedo que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste."

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

VIVENDO NA MEMÓRIA

Pare de viver em minha memória. Vá-se embora!
Não quero mais a ti; suma para todo o sempre.
Matarei-o de fome se não fores.
Jamais tocarei nas lembranças que tenho de ti.
Ficaram desnutridas, fracas e fenecerão; sei que sim.



~ Oh, cândidos céus! Tragam-me aqui um novo amor.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O PODER DO CHURRASCO

É impressionante o que um latão cortado ao meio, um saco de carvão e fósforo não fazem pelas pessoas. Hoje eu pude testemunhar -- e vivenciar -- o poder do sagrado churrasco brasileiro.
Uma sinergia ocorre em torno do ritual da comilança; todos desejam estar ali, compartilhando o que há de mais essencial ao ser humano, a nutrição.
Então, foi hoje que, afinal, estivemos todos juntos. Compatilhando algo; tínhamos algo em comum, finalmente. Após anos de tentativas frustradas, turmas sem nenhuma identidade, caras feias aos montes, professores desesperançosos, discussões ferrenhas, e as mesmas atitudes e personalidades fortes (demais) que sempre nos levavam ao nada social, a tal da "união" deslanchou. Aconteceu como mágica!

A preparação do churrasco gerou pequenos conflitos, porém nada que afetasse o objetivo primeiro. Queríamos comer, por isso tudo precisava dar certo. Se alguém come a mais do que deve, os outros ficam chupando o dedo. E se alguém paga a menos do que deve, os outros ficam no prejuízo. Por esta razão, cada um vigia o outro. (Isto me recorda crianças que denunciavam seus pais em épocas de governos ditatoriais, pois, era mais correto que eles fossem presos ou até mortos se não estivessem em acordo com a sociedade e as regras sociais vigentes; o que associaria com a socionomia de Piaget; mas voltemos..)
Estávamos todos envolvidos, participando, palpitando, gritando -- o inconveniente é inevitável -- mas, estávamos ali.
Há um ponto curioso a ser ressaltado: aqueles que criam o balão da discórdia, só acabaram se juntando ao esquema depois de quase tudo estar decidido. Não houve espaço para chiliques de marca maior, felizmente. E creio que foi isto a propiciar o resultado positivo do final do almoço.

Comemos carne. Bovina, de frango, suína. Alguns serviram-se de farofa e vinagrete; mas não é este o ponto essencial; a comida era o instrumento de junção, nada mais.
O que me iluminou a existência, verdadeiramente, foi ver a integração de seres que aparentemente só fazem mostrar seus sentimentos de desprezo uns pelos outros. Eu me alegrei intensamente; ainda mais por ser parte daquilo.

Claro que feitos miraculosos como este não durariam pela eternidade; já na aula seguinte alguém faz questão de se estranhar com o primeiro que lhe deu uma resposta que desagrade ao cidadão.
É certo que todos têm o direito de se portar como queiram, mas a intransigência necessita de limite.
A ternura com que as pessoas se tratavam na hora do tal churrasco poderia ser estendida aos momentos que não houvesse nada além de nós envolvido.

É; cada dia é um exercício de humanidade.

INCONSCIENTE DO MUNDO

FUSTIGANTE É O SILÊNCIO.
A MINHA PELE DENUNCIA A CORROSÃO DO TEMPO; ELE AMARGURA A MINHA ALMA.
SOMBRIA JÁ SOU.
DESEJO SER CRIANÇA; VIVER EM ETERNA DOCE IGNORÂNCIA. NADA SABER, NADA TER VIVIDO. QUERO SER INCONSCIENTE DO MUNDO.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

TUDO TEM UM FIM?

TUDO QUE É (MUITO) BOM NECESSARIAMENTE TEM DE TER UM FIM*


br: Calvin e Haroldo:

en: Calvin e Hobbes:












sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ELA



* Eu tenho um desejo: ver com o mundo com os olhos Dela. Porque Ela me fez entender que é necessário viver para dentro para então sonhar para fora.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

AMOR & SEXO

Como a inspiração só tem me vindo às vezes, de acordo com as vivências que me mobilizaram, devo dedicar esta postagem a uma tarde deliciosa que hoje tive! Ah.. É tão bom me sentir à vontade com vocês.

*

RITA LEE: Amor e Sexo

Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte...
Amor é pensamento
Teorema
Amor é novela
Sexo é cinema..
Sexo é imaginação
Fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia...
O amor nos torna
Patéticos
Sexo é uma selva
De epiléticos...
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Oh! Oh! Uh!
Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom
Amor é do bem...
Amor sem sexo
É amizade
Sexo sem amor
É vontade...
Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes
Amor depois...
Sexo vem dos outros
E vai embora
Amor vem de nós
E demora...
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Oh! Oh! Oh!
Amor é isso
Sexo é aquilo
E coisa e tal!
E tal e coisa!
Uh! Uh! Uh!
Ai o amor!
Hum! O sexo!
<.>

domingo, 4 de outubro de 2009

MÚSICA










"A música nasceu livre; sua função é libertar o homem."

MEDO?

Eu não tenho medo da tua resposta. Tenho medo é da tua falta de resposta.
Da tua plena e completa indiferença. Do teu silêncio.
-
Por que é que te encondes? Por que é que disfarças?
Por que é que foges? Por que é que não me olha de frente, nos fundo dos olhos, e me diz a verdade; qualquer ela que seja?
-
Ah, venha cá. Deixe este assunto cá entre nós; entre eu e tu. Tu e eu; nós.
E me diga: que queres de mim? Diga sim, eu te amo; ou não, não te quero.
Não precisa de muito floreio e nem de muito receio. É simples.
Correr e se ausentar não altera a situação, não te faz menos participante desse enrosco.
Só lhe faz covarde e menos íntegro; te faz menino, não homem; acorde amor meu, levanta-te desse teu marasmo, e mostra a tua cara.
-
Esperarei. Mas não pela eternidade.

BILHETE

"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."

Mário Quintana ~

NAVEGAR É PRECISO

"Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão."

~ Encara?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

CURIOSA CURIOSA

A vida é uma coisa mesmo curiosa e confusa. Chega a ser até irônica quando quer, e por que não engraçada; é caminho que vai e que vem e que vai mais uma vez. As pessoas aparecem e somem e voltam anos depois; os dias são muito felizes, muito tristes ou muito nada; amamos nossa personalidade, nosso jeito de ser, ou detestamos e queremos mudar a todo custo.

Talvez -- e falo assim por não ter certeza absoluta, afinal, tudo pode ser meramente circunstância momentânea -- o mais difícil de se encontrar em uma vida toda é amor.
Não no sentido curto, mas no sentido nobre. O verdadeiro sentimento de plena entrega de si, respeito incondicional e admiração sem cobranças; aquele que só quem vivencia pode saber. Não dá para explicar a alguém como é amor, deve-se amar simplesmente.

Mas, aí é que está a complicação toda.
Os homens e mulheres e crianças e idosos e todo mundo têm medo.
Tendemos a nos proteger na casca e na casaca da individualidade e morreremos assim, sem que ninguém, jamais, tenha tocado nossas almas profundamente se não sairmos da proteção. Fazer cócegas no outro é simples, não precisa de muito. Mexer com o superficial não constitui (quase) nada.
O mérito está em mobilizar o íntimo de outro ao ponto de não parecer pertencente unicamente a si, mas a ambos, de modo a fazer com que haja uma atmosfera que os envolva, que os contenha.

E é claro que ficamos vulneráveis quando deixamos a porta aberta, e tememos que furtem nossa paz; porém é mais curioso não enxergarmos que somos e seremos sempre bombardeados por outros, mesmo que nos escondamos sob as cobertas e choremos, suplicando a solidão.
Eles estão aí, e somente o fato de existirem faz com que sejam relevantes e integrem certa parte de nós. Tudo o que existe nos contempla; por mais distante que esteja no tempo ou no espaço. Nem que seja sutilmente, seremos afetados. Positiva ou negativamente; mas esta não é a questão da pauta.
O ponto é que, a vida em si é sutil. Ou mais precisamente, o valor da vida é sutil.
Então, de que adianta fugir? Seremos mexidos e remexidos de qualquer forma, quer queiramos, quer não. Estaremos sempre arraigados ao outro; então que estejamos atados da forma mais bela e terna, através do amor.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O INFERNO DOS CÉUS

Eu chorava; chorava incessantemente. Um choro constante, porém agora, era baixo, doído e fraco. Estava lá, deitada na cama, largada, jogada como um trapo velho abandonado em um canto qualquer. Éramos eu e a dor a me fazer companhia. Um torpor me percorria o corpo; não sentia nada, ou melhor, sentia o nada; o vazio que se instalara em minha alma recém-dilacerada.

Havia horas que estava ali no quarto escuro, na densidade da solidão. Completamente arrasada, sem um pensamento sequer me passando pela mente. Fechava os olhos, ou deixava-os abertos; não fazia diferença, tudo era breu. Manter-se acordada ou embarcar em um sono profundo era questão de escolha do observador externo, pois, naquele momento para mim era exatamente a mesma coisa.

A vida perdera complemente o sentido. As referências de sentimento, as estruturas de afeto, aquilo em que me fizeram acreditar na existência - o amor incondicional entre dois seres - desvaneceu-se como a última vibração na água do lago causada pela pedra lançada à revelia. Tão efêmero quase como se nunca houvesse estado ali. Meu amigo, meu querido, meu bem quisto, meu amado, simplesmente se foi. Aquele que cultivou em mim os mais belos e puros sonhos de paixão, carinho e ternura, cansou-se de meu gênio; saiu pelo mundo afora a procura do que, talvez, não encontrasse em mim. Ou ainda, fugiu para não ter de enfrentar aquilo com que se deparou; correu para que não tivesse de lidar com o que havíamos criado, com o que era agora, verdadeiramente nosso.

Não obstante, levou consigo o que eu tinha lhe dado de melhor, minha confiança. Roubou-a descaradamente e fê-la em mil pedaços, rindo-se sarcasticamente da minha ingenuidade, da inocência de quem se entrega ao outro, de quem confia até o último segredo, de quem dá de si até a última gota de sangue, de quem deposita até o último suplício de felicidade no colo do indivíduo amado.

Sentei-me na cama, logo naquele instante no qual todas as cenas terríveis vividas na última semana piscavam como flashes em minha cabeça. O corpo cambaleava e eu hesitava em pôr-me de pé. Alcançando a bacia que estava logo abaixo de meu corpo cadavérico, semi-vivo, semi-morto, agarrei-a com força e vomitei, coloquei para fora o que não comera, numa tentaviva desesperada de expurgar a morte de mim. Tudo em vão; ela já estava grudada à minha pele.


Mas me perguntava silenciosa e pausadamente: será que pode haver traição maior que a mentira? A mentira não-destilada, simples e nítida? Aquela acompanhada da sádica hipocrisia? A mentira contada sem o menor escrúpulo, que além de esconder a verdade, destrói o que encontra pela frente? Desde sempre, ela é o maior pecado e o pior jogo.

Mais dúvidas me tiravam o pouquíssimo sossego que ainda poderia ter restado em mim. Teria ele me amado algum dia? Teria sido ele capaz de algum sentimento genuínio? Teria ele tencionado planejar uma vida a dois? Ou a três, como haveria de ser? Não, um crápula como aquele não é digno de sentir, qualquer coisa que seja. Nem as emoções do pior gênero ele devia se prestar a vivenciar. E não, o homem não pensara em absolutamente nada além de seu próprio conforto indigente. A indiferença é seu estado permanente; ele é a personificação da frieza completa.
Ah! E eu adoraria tê-lo odiado; mas nem para isso tinha forças. Era só o pó de mim; a desilusão me transformou numa pintura desbotada de quem fui. O máximo que consegui foi detestá-lo; o que não era significante o suficiente para ser aceito como reação de uma mulher que fora mal tratada, desrespeitada, humilhada e correra risco de vida, ou melhor, que esteve quase morta.

Agora, em minha deplorável esqualidez, eu tilintava por completo. Tremia da extremidade do dedão do pé até o último fio de meus longos cabelos dourados; talvez, se alguém ali estivesse, ouviria até os ossos, a bater uns nos outros. A visão estava turva, embaçada, confusa; e o gelado externo que me arrepiou os pelos todos, me empalideceu por dentro.

Estava nas sombras, sombria, e sóbria. Podia ver com clareza já com o turbilhão passado. Eu adiara o inevitável tentando convencê-lo do que ele não queria ver; os argumentos, os gritos, os apelos, tudo em vão. O abandono era certo. Ele não mais me queria. Nem desejava ter o filho. Havia de se ausentar da paternidade e do compromisso sem titubear. Contudo, não pude entender antes o porquê. Uma razão que ficara para mim alva como o céus, ainda naqueles momentos fatídicos. A verdade era nitidamente cruel.

Eu vivera momentos ilusórios.

(>>>)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

UMA VERSÃO DE MIM


Quero me lembrar assim de mim.
Da versão rosada da Anielle,
Da pessoa fresca e viva,
Daquela que pensa e sente, e se permite,
Da menina, da moça, da mulher que sonha,
Daquela que somente deseja ser humana,
Da Anielle que tem coragem de ir em busca da verdade.

HOJE É DIA DE CLARICE

Aquilo que há em meu interior adora brincar de se expor, de de repente, se tornar aparente e latente; quando deixo que meus sentidos não sejam meramente ferramentas, e permito-os somente a sentirem, eu vejo uma sombra da verdade. Estou perto do tudo absoluto, mas rapidamente o pesar da cegueira humana me toma de mim.

E com ela estou retomando o caminho que leva ao meu profundo interior. Clarice me leva pela mão, mostrando os mistérios da busca por si mesmo, como uma sábia guia, vai iluminando-me e me fazendo reencontrar a doçura perdida da vida, ensinando-me a valsar com a liberdade, e me levando a borboletar com o vazio de ser.

Obrigada querida escritora, obrigada.

>>>

"Mas o vazio tem o valor e a semelhaça do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é a resposta a meu - a meu mistério."

EXTREMO DO OUTRO OPOSTO

É tão peculiar a mim que eu consiga ir de um limite a outro do conhecimento humano, simplesmente convivendo em dois mundos opostos. Se são complementares, ainda não pude constatar, quem sabe um dia posso entender que são as duas faces da mesma moeda humana.



Na minha busca incessante, deleito-me com o exato, com os fenômenos que podem - e devem - ser explicados, eu me divirto com a bela Matemática e a minha querida Física; e num momento estou eu lá, flertando com os sentidos, delirando na magia do subjetivo, me entregando à Literatura e à Música.

Como é que posso fazer minha mente apreciar ambas vertentes do conhecimento, com um esforço consideravelmente pequeno para transitar entre uma e outra?

Devo confessar que me é mais dolorido passar do incerto ao preciso, do que escapar logo ao místico. A mudança na chavinha do cérebro, como um botão que liga e desliga, de 'inexplicável' para 'dedutível e equacionável' me é mais dificultosa. Espero que apenas por enquanto, pois, quero domar meu gênio; quero que ele se adapte à linguagem do saber científico.

(Pensando menos apaixonadamente, não é isso mesmo que Orwell dizia com duplipensar?
"Pensamento duplo indica a capacidade de ter na mente, ao mesmo tempo, duas opiniões contraditórias e aceitar ambas.")

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

BLOWING THE DUST OFF

I want just one little change. I don't wanna be myself anymore.

How can I do the right thing to do?

How can I be great?

=

I wanna go away, I wanna go to another place; because I look for a destiny and I am running away from this land in which I am living now.

PUF PUF

Para escrever é preciso saber sobre o que queremos escrever.

Temos que ter em mãos o assunto, colocá-lo em pauta para discutí-lo internamente e depois, deixá-lo passar para o papel. Ou para a tela do computador.

É assim que se escreve.

-

Mas, o que é há inerentemente neste processo? O que está guardado dentro de mim que dita o que será levado em consideração e o que não, o que irá para o texto?

-

De repente, eu fico sem ideias. Puf, elas se vão.

TÉDIO

Que tédio ter de falar de mim; do eu, e da vida medíocre que me proponho a viver. Não que esta seja miserável, do ponto de vista do ter, pelo contrário. É-me muito boa.
A questão é outra.
Entedio-me justamente com este fato, a secura humana da minha existência. A falta de gente, de sentimento essencial humano, daquilo que vem de dentro da alma do homem, e só de lá poderia vir.
Falta de envolvimento, falta de verdade; falta de olhar nos olhos, de enxergar outra alma.
Falta da própria alma, do vazio impenetrável e penetrante, que me permeia a todo segundo; do encontro com o eu, e com o mundo.
=
Ser sensível já não é o bastante. Afinal, com essa consciência toda de mundo, nada posso realizar. E acabo por me perguntar: o que quereria tanto fazer?
Sofro a dor do mundo, carrego-o nos ombros, como se as costas pesassem duzentos quilos; de medo, de aflição, de dor, de mal. Faço isto porque o vejo como é.
Se não conseguisse enxergar, nada diria; viveria por aí, como tantos outros, inerte, cega, alheia. Sem de fato entender o que me permeia; o que me perpassa; o que me aflige; a vida que tropeça em mim, e se vai sem sequer pedir desculpas, arrogante, de nariz para a lua, pouco se importando com a ferida que deixou exposta pelo pé pesado que fincou no destino.
=
Escreveria melhor se soubesse como fazê-lo. Embora talvez o problema não seja a linguagem que uso, irremediavelmente sem controle, sem forma, e sem rebusco; é solta, fluida, densa como a noite e tão simplória que até me espanto, mas não é nada disto. O meu dilema é o conteúdo.
Escrevo somente sobre aquilo que me toca; sobre aquilo que me encanta, porque escrever é libertar. Rabiscar me faz largar todas as amarras que me prendem à realidade indesejada, ou ainda me tentam a arrancar a fina casca de ferida da alma, e deixá-la sangrando, para que me sinta viva; para que me sinta real.
=
Ah, o tédio é o mal do século. Deste, do próximo e do outro, e do seguinte.
Temos tudo, e temos o nada. Dos aspectos felizes que a vida deve ter, somos alheios.
Dos materiais, temos aquilo que sempre desejamos ter.
Sabemos nós o que é o amor?
Pleno, puro, cru; massa não-moldada, branca, quase que inerte. Vivo, vivo e vivo.
A grandeza da humanidade perdeu-se; foi embora. Aquilo que deveria estar atado, arraigado à nossas almas, já não é mais completo.
=
Precisamos todos expandir nossos horizontes. Precisamos todos ver mais longe, ou mais para dentro.
Precisamos todos ser humanos.

domingo, 23 de agosto de 2009

WHEN I WAS A YOUNG GIRL

When I was a young girl I used to see pleasure
When I was a young girl I used to drink ale
Out of the ale house, down into the jail house
My body salve-aided and hell is my doom
Come mama come papa and sit you down by me
Come sit you down by me and pity my case
My poor head is aching my sad heart is breaking
My body salve-aided and hell is my doom
Please send for the preacher to come and pray for me
And send for the doctor to heal all my wounds
My poor head is aching my sad heart is breaking
My body salve-aided and I'm bound to die
One morning, one morning, one morning in May,
I saw this young lady all wrapped in white linnen
All wrapped in white linnen and called out "the plague"


(a música faz uma tremenda diferença ao nos inspirar, para o bem e para o mau)

.

RENOVE

Existem pessoas que queriam que tudo fosse como era antigamente.
Eu não. Acredito na renovação.
Que as coisas sejam como serão futuramente.
Porque renovar não é esquecer o passado, é atualizar o presente.
Renovar não é romper. É reaproximar.
Renovar não é jogar fora, é reciclar - inclusive os conceitos.
Renovar faz do mundo um lugar mais humano.
Porque se as coisas vão bem, podem ficar ainda melhor renovadas.

É isto que eu proponho: Renove. *

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

VERBORRAGIA

Encontrei nas profundezas de meus arquivos um texto chorão/dramático/intenso; que deve ser de um ano atrás ou talvez até tenha menos idade.
Só advirto uma coisa: Cuidado, o conteúdo exposto aqui é altamente introspectivo, de tom psicológico abalado e filosoficamente aprofundado.
Para quem nunca leu Lispector ou Woolf, seria difícil entender cada e qualquer palavra.
Está preparado?

-

Uma verborragia sem tamanho há de se iniciar. Deve ser uma espécie de dom esse de rascunhar atendo-me a cada detalhe das palavras e deixando transbordar para o papel o que há em mim; ou uma maldição. Das minhas lamúrias faço o meu drama, enrolo-o numa bela trama e tenho a alma que aflita clama por um pouco da chama, da chama do amor.
Contudo, eu não me preocupo em ferir-me, pois quem escreve utilizando a tinta da lama da angústia, não o faz empenhando-se na cura para seu sofrimento, não surtiria efeito algum; então ele apenas o faz. E desta forma eu o faço, agora.

Logo a princípio, devo dizer que estou errada. Cometo a mais grave das infrações ao envolver-me com o outro, ao ir fundo na ilusão de um amor, ao deixar abertas as portas do meu coração àquele que não o percebe.
Sofreria eu menos se eu me cobrisse com o véu da superficialidade, se eu fosse como as almas vulgares? Aqueles que jamais provarão da intensidade de se apaixonar, aqueles que nunca sentirão nem ao longe o rastro do amor puro e verdadeiro perpassar-lhes, aqueles que não poderão enxergar com nitidez a alma do indivíduo amado.
Não; por mais que eu intentasse no fingimento de ser uma dessas almas frívolas, não atingiria o cume do monte do amor, porque não teria sequer consciência de que há um caminho que leva até o topo; apenas contemplá-lo-ia, do labirinto da ignorância que há nos pés da montanha, totalmente perdida.
O meu erro é ser quem sou; é sentir demais.

E quem compreende a complexidade do coração humano?
Aqui, contido em meu peito, há um infinito de amor para dar; mas o amor de mulher e homem é uma substância fluida, que exige uma dinâmica de oscilação, o movimento de ir e voltar. Então, quando estou prestes a liberar as barreiras que represam o que há guardado em meu interior, e pedir apenas uma parcela ínfima de sentimento genuíno em troca, dou de ombros com uma tranca. Encontro corações lacrados, seja pelo receio de sofrer, seja pelo comodismo de viver sem a emoção constantemente correndo pelas veias, seja pela pura e simples timidez.

Desiludo-me assim. Fico no descontentamento com as frustradas tentativas de amar, que fazem minhas aspirações fenecerem e ganharem um tom acinzentado. O cinza monocromático que reflete a melancolia de ter de manter aqui comigo, o meu desejo de entregar-me, o sonho de ser una ao outro, e a vontade se ter o coração de outro ser pertencente a mim; como quando se instala no rosto da criança a tristeza por prenderem ao solo seus balões que foram feitos para voarem livres pelos céus. Então, surge no pequenino o anseio de soltá-los, tal qual há em mim o anseio de permitir-me viver este amor.

No entanto, uma dúvida me toma por completo: Existe no mundo um único homem que tenha o coração livre para amar, os olhos não-viciados pela maldade, consciência para valorizar o essencial, a mente aberta para a ideia nova, o caráter incorruptível, o corpo limpo da impureza da luxúria, a alma límpida e transparente?

Toda nova empreitada me faz voltar com arranhões e escoriações; com esta não teria sido diferente. Há pouco regressei a mim, e estou contabilizando as baixas. São muitas, mas não inúmeras.
Vejo que me entristeço pela perda; pela saudade daquele a quem dei uma parte de mim, saudade do que nunca houve de fato, e pela falha em amá-lo.

-

terça-feira, 18 de agosto de 2009

LA CUISINE


(Ano da França no Brasil)*

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

ESTADO {DO} BRASIL

O Estado Brasileiro necessita uma reforma profunda, um sério restauro; porque é frágil, está prestes a quebrar, a falir. As rachaduras da estrutura são nítidas, qualquer um pode ver.


As coisas por aqui vão mal, muito mal. Sabe a razão?

O Ensino Público é semi-analfabeto funcional.

A Saúde vive doentinha, cheia de dores.

O Transporte Público deu perca total da última vez que capotou.

A Segurança Pública morre de medo até da própria sombra.

O Progresso não sai do lugar, não progride.

A Política é corrupta, corrompida e cada vez mais corruptível.

O Cidadania não é nem bem gente, quanto mais tem alguma dignidade.

A Justiça continua cega, lenta, e agora deve ter Alzheimer.

O Emprego acabou de ser demitido.

A Economia está sem um tostão no furado o bolso.

Está tudo fora dos eixos.
-

E é assim que deve continuar a ser?
Vamos nos sentar todos na calçada do subdesenvolvimento, lamentando a precária situação da Nação, ao invés de nos levantarmos e seguirmos na estrada da História, fazendo valer, levando à sério a tal "Ordem e Progresso" que está impressa em nossa bandeira nacional?

Apenas pense se está disposto ser um brasileiro de fato e lutar em prol da nossa terra, montar um estandarte pela nossa pátria, para então ter orgulho de viver aqui e ser parte dessa Nação; ou se preferimos viver no comodismo, mas acomodados na lama.

VIVER PALAVRA

Estes tempos chegados de aula me deixam pouca alternativa quanto à boa elaboração de textos; simplesmente não terei tempo hábil, criatividade disponível e energia de espírito para fazê-lo.
Uma pena.

Porém, ainda posso ater-me à pequenez das frases curtas, lapidadas ao máximo.
É simples, bem simples.

Porque eu vivo as palavras.

-

~Eu tenho alma de artista.
~Eu tenho mente de cientista.
~Eu tenho coração de humanista.

domingo, 16 de agosto de 2009

FELI{Z}-CIDADE

A felicidade não está em um lugar, ela é um lugar; para mim ela é materializada naquele lugar.
-
-
Preciso descobrir para onde foram o Don Quixote e o Sancho Pança do Conjunto Nacional! Será que partiram em uma alucinante aventura!?
Devem ter saído avante pela Augusta, em disparada, descendo a rua; fazendo como eu mesma costumo fazer, descobrindo a liberdade da cidade!
Mesmo num belo palácio, ninguém pode sentir-se pleno se estiver preso, amarrado, atado.
~~~
[Paulistânia]

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

DIFERENTE-MENTE

Minha vida está se mediocrizando e ficando cada vez mais atada à virtualidade; se pudesse, viraria as noites nesta máquina, morando na Internet. Não sou mais quem costumava ser, ninguém mais o é. Não vivemos a vida plenamente nesta época e-maluquecida. Estamos aqui -- quase todos nós pessoas -- conectadas, dia e noite, noite e dia; mas estamos separados pelas mesmas teias que nos ligam.
-
Passar incontáveis horas aqui não é de todo mal, já que encontro algumas pequenas maravilhas. Vamos aos meus achados de hoje!

Nas andanças diárias por diversos blogs, encontrei um texto de um jornalista - já falecido, por acaso - mais conhecido como Artur da Távola.
Aprecie-o sem moderação!

A Alma dos Diferentes
-
“... Ah, o diferente, esse ser especial!
Diferente não é quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.
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Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não agüentar, caso um dia venham, a ser.
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O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição. O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias, adiadas; esperanças, mortas.
Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.
-
Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride. Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.
-
O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer – alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual: a inveja do comum; o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.
-
O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em: "Puxa, fulano, como você é complicado". O que é o embrião de um estilo próprio em: "Você não está vendo como todo mundo faz?”
O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.
-
Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham. É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde os outros ganham.
-
Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Ele aprendeu a superar riso, deboche, escárnio, e consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.
-
Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados, magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de espinhas, de mumunha, de malícia ou de baba. Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais. A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.
-
Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.”
x
- Ser diferente não é previlégio, nem sina; é característica intrínseca. Percebe?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

QUOTES

Citações, ao meu ver, são fragmentos de genuíno conhecimento, porém compactados, simplificados.

> Uma vez, alguém disse que "até as noções mais complexas podem ser - elegantemente - reduzidas a um conjunto de princípios fundamentais simples"; acertou em cheio, e decerto que signore Da Vinci adoraria ver seu mundo assim, todo sofisticadamente simples.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

CONFESSO

Logo de início, confesso-lhes que não sou escritora. Sou uma aspirante à, nada mais.
Não tenho habilidade com as palavras, não sei tratá-las, moldá-las e organizá-las harmoniosamente nas frases como um compositor faz com as notas de sua música. Não sei dar leveza a um texto, encadear ideias e nem ao longe empregar um argumento preciso durante a exposição de um raciocínio.

Não posso aprofundar-me no sentimento e criar poesia de qualidade; não consigo exprimir o que de fato quero dizer, e pior, por mais que intente em criar uma narrativa envolvente, nada sai, nada sai.

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Portanto, descubro-me apenas leitora. Ávida, voraz, constantemente em ação, convicta e incontrolável. Leio obras da vasta literatura universal, bulas de remédios, jornais, best-sellers, dicionários, revistas, placas de rua, poemas, anotações em papéis, citações.. leio o mundo.-E sendo assim, tudo aquilo que vier a escrever, não é meramente de mérito meu, nem puramente fruto de minha imaginação; Vêm daquilo que me foi possível ver, que me foi permitido entender sobre aquilo que me cerca.
Meus escritos são provenientes da visão de mundo que coleciono, suavemente lapidada pela minha mente.Talvez meus olhos vejam um mundo distorcido, torto, difuso, confuso, caótico; O que se reflete diretamente nos textos meus.

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Então limito-me a ser leitora, e um só tempo escrevinhar alguns rabiscos, alguns rascunhos; Contenho-me na minha pequenez e faço daqui um espaço para colocar estas obras-primas da minha cabeça de papel!

DESBOTAR-SE-Á

Devo ter escrito este texto há poucos meses atrás; hoje, minha página está novamente em branco. Toda a coloração que ele -- não identificado aqui, por razões óbvias -- deixou impressa em minh'alma, foi-se. Exatamente como eu desejei. Restaram apenas os versos; versos soltos e feitos de vento.

~

Se pudesse facilmente arrancar-lhe do meu peito, já o teria feito.

Não o queria abrigado mais em minha alma, não mais.

Luto veementemente contra o aconchego com que você se instala nas profundezas do meu ser.

Colocá-lo-ia para fora, expulsá-lo-ia daqui de dentro, se me fosse permitido.

Mas, impossibilitada de lutar contra os implacáveis destino, e alma, e coração, espero somente que você se retire vagarosamente.

Serei contente novamente quando notar que já não o percebo fazendo parte de minhas ideias, de meus planos; do meu cotidiano.

Viverei plenamente ao não mais me recordar do seu sorriso por qualquer mero fato inusitado; tal qual o faço, constantemente.

Aguardarei pacientemente que cada singelo pedaço teu, cada mísera lembrança tua, saia de mim.

Como uma roupa que desbota, perdendo sua cor, você irá desfalecer-se em minha memória, perdendo sua vividez.

O tempo, senhor da vida, senhor de tudo, se encarregará do que eu, sozinha, não posso sequer ousar fazer.


(!)

domingo, 9 de agosto de 2009

PENSAMENTOS ESPALHADOS

FORMA-FUNÇÃO



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ESSÊNCIA-APARÊNCIA






-Ser inteligente E sensível.





Tudo precisa ser assim tão genérico, tão sem vida!?




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Sustentável; Durável; Permanentemente mutante!



PENSE POR SI MESMO; QUESTIONE A AUTORIDADE.


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HOW WE DO. NOT JUST WHAT AND WHY; IT'S HOW.



Usar o que temos, da melhor maneira possível: Efficiency.


Tudo junto, tudo misturado, tudo em um só: Sinestesia.

-x-


BE UNIQUE; AUTHENTIC.


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Qualidade é o que importa, e não beleza. Não deve ser bonito, só deve não ser neutro; deve provocar reações nas pessoas.

~ Obra de concretismo, vá lá;

sábado, 8 de agosto de 2009

O TEMPO E SEU RITMO

Adoro certos filmes adocicados. O frescor deles têm um quê de especial; como se quisessem à qualquer custo ser vivos como a própria vida o é, mas não atingem esta perfeição, são meras cópias.
{A arte imita a vida, ou a vida imita a arte?/ Mas não é isto que está em questão, minha observação agora é outra - haverá um espaço para falar de arte, certamente, pena que não seja este.}

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Há certos personagens que são mágicos, encantados. Leopold é um deles, sem sombra de dúvida.

Hugh Jackman, o ator australiano que de tão versátil que é, consegue interpretar o bruto Wolverine e a um só tempo também se encaixa perfeitamente no papel do charmoso cavalheiro vindo do século 19, ninguém menos que Leopold.



O homem perfeito. Educado, polido, gentil. Preocupado com o bem-estar da amada, faz de tudo para agradá-la, é deliciosamente romântico. Veste-se impecavelmente, anda sempre com um sorriso nos lábios - o belo sorriso de canto de boca - e todo seu gestual reflete sua sofisticação e sua simplicidade. O sonho de toda e qualquer mulher que se preze.

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No entanto, não foi isto que me chamou mais a atenção. Foram suas falas marcantes. Foi sua maneira de ser, e de ver o mundo. Algumas preciosidades do filme coloco aqui agora:

~"Ora, mas nesta época de agora vocês têm todas as facilidades, e não encontram tempo para a integridade? Vocês refinam a mentira até que ela aparente uma verdade?"

~"Tudo é melhor assim, num ritmo mais lento, numa dinâmica lenta. Assim a vida não exaure a sua beleza natural." (esta merece uma explanação: esta frase foi dita após um final de semana, passado ao melhor estilo vitoriano.)

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Doce e sábio Leopold.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

JUVENTUDE

Cada vez que tenho o (des)prazer de compatilhar alguns momentos com jovens da minha geração, os nascidos depois da queda do Muro, eu me espanto mais e mais com o comportamento de meus companheiros de idade.
Como será que cabe tanta futilidade, falta de seriedade, e apreço pela aparência compactado em tão pouco espaço de tempo de vivência? O meu desalento é ter a impressão de que não é relevante pensar, de que uma cultura extensa não é desejável, ou pior, que nada disto está na moda; pois posso perceber -- por experiência própria, diga-se -- que não é absolutamente necessário ter anos e anos de bagagem para ter um pouquinho de bom-senso, ou seja lá o que os adultos, em sua grande maioria, têm - ou deveriam ter.
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Ser jovem não pode significar ser rebelde ou revoltado, sem que haja o mínimo fundamento para sê-lo. Ser jovem deve significar ter a cabeça aberta para as novas ideias e conceitos, ser mais flexível, mas não ter a mente desnaturada -- imatura, não-madura como uma jaca verde -- e incapaz de ser utilizada propriamente.
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Acho que até Freud ficaria perdido nesse mar de ignorância, cegueira e insolência juvenil.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

PENSAMOS, LOGO SOMOS HUMANOS

-x-
Ocorre-me uma ideia agora.
Mais que isto, é uma indagação o que me veio à mente.
Não cheguei a nenhuma conclusão ainda, afinal, não saí nem da pergunta, que é:
Pensamos todos? Ou pensar é privilégio de alguns?
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Não me refiro ao pensar biológico, pois todos que têm cérebro fazem a tal da sinapse, e por consequência pensam. Estou querendo fisgar o sentido nobre da palavra 'pensar'.
Gostaria de saber é se todos, ao menos uma vez em vida já se questionaram o sentido da existência. Ou, quais rumos tomaremos. Ou ainda, de onde veio toda essa bagunça chamada Universo.
Gostaria que me respondessem se alguém deixou de se auto-analisar e o que lhe cerca, e de buscar uma verdade além daquilo que é óbvio e notório.
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Gostaria de compreender a ignorância humana; a pura e simples ignorância.
Se talvez alguém pudesse me esclarecer de onde vem tanta falta de conhecimento, de juízo moral e de senso de mundo, eu não questionasse mais se meus companheiros de jornada alguma vez se questionaram como eu o faço agora.
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~As velhas perguntas, e a velha falta de respostas.

DE BRISA E DE SONHO SE FAZ A VIDA

A nostálgica infância me traz boas recordações, assim como deveria de ser. Meus dias eram sempre iguais e sempre diferentes. Gostava de brincar e saltitar, como qualquer infante comum; mas também de pensar, o que já não era lá muito usual entre as criancinhas de 4 ou 5 anos. Eu achava delicioso pensar em tudo ou pensar em nada. Minha principal diversão durante toda minha vida, recente que é, fora uma só: passar horas a fio matutando alguma ideia na minha cabeça de papel. E temo que continuará a ser esta mesma, durante a jornada que se traça ante meus pés.
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Deitar na cama, no chão, na grama, no sofá, aonde quer que fosse, e simplesmente deixar a imaginação correr solta; libertar a mente, e fazer com que apenas ela, e mais nada, seja o limite. Isso me entretêm como nenhuma outra coisa feita de matéria, seja ela orgânica ou inorgânica. Quando menina pequena, quaisquer brinquedos que tivesse, quaisquer amigos, quaisquer coisas que fossem, perdiam a vez frente a esta minha 'atividade', ou também face a um outro maravilhoso exercício intelectual, complementar a este meu favorito já descrito, e que é a belíssima descoberta!
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Perguntar, questionar, conversar, interrogar, pesquisar, fuçar, ser curiosa, ler tudo que estava à vista -- de bulas de remédio à dicionários -- me deixava extasiada, me fazia ter cada vez mais empenho em aprender, cada vez mais apreço pelo conhecimento. Talvez seja o inebriante frescor do saber novo, recém adquirido, que ficava reverberando na minha cachola, entorpecendo os neurônios, deixando-os com a sensação de querer mais, como um viciado necessita do objeto de seu vício; mas guardadas as devidas proporções, é claro.
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Engraçado é que, um processo intelectual não funciona sem o outro. É preciso adquirir informação, para ter um arquivo gravado no cérebro -- o meu que deve ser composto de mingau a esta altura de tanto que já estoquei (in)utilidade nele -- e assim, ter condições para fazer com que a mente viaje tranquilamente por um Universo potencial de opções para criação de coisas, aparentemente, novas. Não é mesmo fantástica essa engenhoca que fica dentro do crânio?
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E tem mais dos meus dias de infante. Fui -- e continuo sendo em certa medida -- uma daydreamer, uma sonhadora. Aquela que tinha moralidade elevada, que sabia o que era-certo-e-errado, que tinha muito mais 'noção' que os outros da mesma faixa etária; aquela que fazia papel de mini-adulta, que procurava ser o melhor que pudesse ser, que se preocupava com o caráter, com os que estavam à minha volta.
Mesmo assim, e talvez por ser assim, eu planejava. {Era uma criança, que poderia eu fazer além disto?} Então, reservava ao futuro a ação, ficava apenas na montagem de um esquema de como seria quando finalmente 'crescesse' e pudesse enfim, provar - para mim mesma e para quem mais estivesse interessado em demonstrações de auto afirmação - o meu valor; quem era 'eu' neste planetinha peculiar.
O engraçado é que, apesar de toda essa carga de seriedade, eu era feliz. Era contente, tranquila, serena. Não me cobrava de nada. Era a pura essência de mim, toda inteira, toda orgânica, todo meu interior ficava à mostra na Anielle que se via por fora.
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Infeliz ou felizmente, a vida corre. Avançamos na linha do tempo. Vamos aumentando de tamanho, vamos acrescentando mais e mais saberes ao nosso conteúdo, vamos virando gente grande.
Aprendemos como as coisas de fato são e perdemos a singeleza de imaginarmos-as como deveriam ser. Trocamos a visão do mundo através dos óculos cor-de-rosa, por armação sem lentes. Vemos a realidade nua, crua, e ardilosa.
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E eu amarguei. Endureci. Enrijeci meu eu moldável. Fechei-me em minha casquinha de fino cristal, e me escondi dentro. Nunca mais sairia de lá, prometi, jurei de pés juntos. Fixei uma bandeira de -- quase -- completo isolamento, vivendo somente de brisa.
Ninguém mais veria o que há por dentro; eu era -- ou ainda sou um tanto quanto, não sei por certo -- a resignação feita em gente.
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Mas me é mais delicioso perceber que apesar de ser uma tarefa incrivelmente complicada, posso ser quem eu desejar, tendo consciência desta minha ingenuidade, tendo em vista a alma delicada -- e por esta mesma razão, uma alma não-rasa -- que tenho. Posso ser quem fora um dia, uma vez mais. Posso ser uma versão aprimorada do que fui, se conseguir limpar a visão; se puder ver o mundo de um jeito todo novo, de olhos não-viciados pela maldade. Posso ser melhor ainda, se for hábil o suficiente para arrancar do âmago um pouco de ideal, um mínimo de sonho, se me permitir sair do casulo.
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Só quero ter em mim aquilo que Saramago diz necessitarem as cidades de serem: limpas, cultas, livres, modernas e organizadas. (Talvez saudável seria bom de ser também!)
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O que posso mais querer além da tríade verdade-justiça-liberdade?
Sou/seria/serei completa deste modo.

~Vivo de fragmentos de momentos únicos; de retalhos de humanidade sincera; de pedacinhos de ilusão persistente.