Devo ter escrito este texto há poucos meses atrás; hoje, minha página está novamente em branco. Toda a coloração que ele -- não identificado aqui, por razões óbvias -- deixou impressa em minh'alma, foi-se. Exatamente como eu desejei. Restaram apenas os versos; versos soltos e feitos de vento.
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Se pudesse facilmente arrancar-lhe do meu peito, já o teria feito.
Não o queria abrigado mais em minha alma, não mais.
Luto veementemente contra o aconchego com que você se instala nas profundezas do meu ser.
Colocá-lo-ia para fora, expulsá-lo-ia daqui de dentro, se me fosse permitido.
Mas, impossibilitada de lutar contra os implacáveis destino, e alma, e coração, espero somente que você se retire vagarosamente.
Serei contente novamente quando notar que já não o percebo fazendo parte de minhas ideias, de meus planos; do meu cotidiano.
Viverei plenamente ao não mais me recordar do seu sorriso por qualquer mero fato inusitado; tal qual o faço, constantemente.
Aguardarei pacientemente que cada singelo pedaço teu, cada mísera lembrança tua, saia de mim.
Como uma roupa que desbota, perdendo sua cor, você irá desfalecer-se em minha memória, perdendo sua vividez.
O tempo, senhor da vida, senhor de tudo, se encarregará do que eu, sozinha, não posso sequer ousar fazer.
(!)
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
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