segunda-feira, 10 de agosto de 2009

DESBOTAR-SE-Á

Devo ter escrito este texto há poucos meses atrás; hoje, minha página está novamente em branco. Toda a coloração que ele -- não identificado aqui, por razões óbvias -- deixou impressa em minh'alma, foi-se. Exatamente como eu desejei. Restaram apenas os versos; versos soltos e feitos de vento.

~

Se pudesse facilmente arrancar-lhe do meu peito, já o teria feito.

Não o queria abrigado mais em minha alma, não mais.

Luto veementemente contra o aconchego com que você se instala nas profundezas do meu ser.

Colocá-lo-ia para fora, expulsá-lo-ia daqui de dentro, se me fosse permitido.

Mas, impossibilitada de lutar contra os implacáveis destino, e alma, e coração, espero somente que você se retire vagarosamente.

Serei contente novamente quando notar que já não o percebo fazendo parte de minhas ideias, de meus planos; do meu cotidiano.

Viverei plenamente ao não mais me recordar do seu sorriso por qualquer mero fato inusitado; tal qual o faço, constantemente.

Aguardarei pacientemente que cada singelo pedaço teu, cada mísera lembrança tua, saia de mim.

Como uma roupa que desbota, perdendo sua cor, você irá desfalecer-se em minha memória, perdendo sua vividez.

O tempo, senhor da vida, senhor de tudo, se encarregará do que eu, sozinha, não posso sequer ousar fazer.


(!)

Nenhum comentário:

Postar um comentário