domingo, 23 de agosto de 2009

WHEN I WAS A YOUNG GIRL

When I was a young girl I used to see pleasure
When I was a young girl I used to drink ale
Out of the ale house, down into the jail house
My body salve-aided and hell is my doom
Come mama come papa and sit you down by me
Come sit you down by me and pity my case
My poor head is aching my sad heart is breaking
My body salve-aided and hell is my doom
Please send for the preacher to come and pray for me
And send for the doctor to heal all my wounds
My poor head is aching my sad heart is breaking
My body salve-aided and I'm bound to die
One morning, one morning, one morning in May,
I saw this young lady all wrapped in white linnen
All wrapped in white linnen and called out "the plague"


(a música faz uma tremenda diferença ao nos inspirar, para o bem e para o mau)

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RENOVE

Existem pessoas que queriam que tudo fosse como era antigamente.
Eu não. Acredito na renovação.
Que as coisas sejam como serão futuramente.
Porque renovar não é esquecer o passado, é atualizar o presente.
Renovar não é romper. É reaproximar.
Renovar não é jogar fora, é reciclar - inclusive os conceitos.
Renovar faz do mundo um lugar mais humano.
Porque se as coisas vão bem, podem ficar ainda melhor renovadas.

É isto que eu proponho: Renove. *

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

VERBORRAGIA

Encontrei nas profundezas de meus arquivos um texto chorão/dramático/intenso; que deve ser de um ano atrás ou talvez até tenha menos idade.
Só advirto uma coisa: Cuidado, o conteúdo exposto aqui é altamente introspectivo, de tom psicológico abalado e filosoficamente aprofundado.
Para quem nunca leu Lispector ou Woolf, seria difícil entender cada e qualquer palavra.
Está preparado?

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Uma verborragia sem tamanho há de se iniciar. Deve ser uma espécie de dom esse de rascunhar atendo-me a cada detalhe das palavras e deixando transbordar para o papel o que há em mim; ou uma maldição. Das minhas lamúrias faço o meu drama, enrolo-o numa bela trama e tenho a alma que aflita clama por um pouco da chama, da chama do amor.
Contudo, eu não me preocupo em ferir-me, pois quem escreve utilizando a tinta da lama da angústia, não o faz empenhando-se na cura para seu sofrimento, não surtiria efeito algum; então ele apenas o faz. E desta forma eu o faço, agora.

Logo a princípio, devo dizer que estou errada. Cometo a mais grave das infrações ao envolver-me com o outro, ao ir fundo na ilusão de um amor, ao deixar abertas as portas do meu coração àquele que não o percebe.
Sofreria eu menos se eu me cobrisse com o véu da superficialidade, se eu fosse como as almas vulgares? Aqueles que jamais provarão da intensidade de se apaixonar, aqueles que nunca sentirão nem ao longe o rastro do amor puro e verdadeiro perpassar-lhes, aqueles que não poderão enxergar com nitidez a alma do indivíduo amado.
Não; por mais que eu intentasse no fingimento de ser uma dessas almas frívolas, não atingiria o cume do monte do amor, porque não teria sequer consciência de que há um caminho que leva até o topo; apenas contemplá-lo-ia, do labirinto da ignorância que há nos pés da montanha, totalmente perdida.
O meu erro é ser quem sou; é sentir demais.

E quem compreende a complexidade do coração humano?
Aqui, contido em meu peito, há um infinito de amor para dar; mas o amor de mulher e homem é uma substância fluida, que exige uma dinâmica de oscilação, o movimento de ir e voltar. Então, quando estou prestes a liberar as barreiras que represam o que há guardado em meu interior, e pedir apenas uma parcela ínfima de sentimento genuíno em troca, dou de ombros com uma tranca. Encontro corações lacrados, seja pelo receio de sofrer, seja pelo comodismo de viver sem a emoção constantemente correndo pelas veias, seja pela pura e simples timidez.

Desiludo-me assim. Fico no descontentamento com as frustradas tentativas de amar, que fazem minhas aspirações fenecerem e ganharem um tom acinzentado. O cinza monocromático que reflete a melancolia de ter de manter aqui comigo, o meu desejo de entregar-me, o sonho de ser una ao outro, e a vontade se ter o coração de outro ser pertencente a mim; como quando se instala no rosto da criança a tristeza por prenderem ao solo seus balões que foram feitos para voarem livres pelos céus. Então, surge no pequenino o anseio de soltá-los, tal qual há em mim o anseio de permitir-me viver este amor.

No entanto, uma dúvida me toma por completo: Existe no mundo um único homem que tenha o coração livre para amar, os olhos não-viciados pela maldade, consciência para valorizar o essencial, a mente aberta para a ideia nova, o caráter incorruptível, o corpo limpo da impureza da luxúria, a alma límpida e transparente?

Toda nova empreitada me faz voltar com arranhões e escoriações; com esta não teria sido diferente. Há pouco regressei a mim, e estou contabilizando as baixas. São muitas, mas não inúmeras.
Vejo que me entristeço pela perda; pela saudade daquele a quem dei uma parte de mim, saudade do que nunca houve de fato, e pela falha em amá-lo.

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terça-feira, 18 de agosto de 2009

LA CUISINE


(Ano da França no Brasil)*

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

ESTADO {DO} BRASIL

O Estado Brasileiro necessita uma reforma profunda, um sério restauro; porque é frágil, está prestes a quebrar, a falir. As rachaduras da estrutura são nítidas, qualquer um pode ver.


As coisas por aqui vão mal, muito mal. Sabe a razão?

O Ensino Público é semi-analfabeto funcional.

A Saúde vive doentinha, cheia de dores.

O Transporte Público deu perca total da última vez que capotou.

A Segurança Pública morre de medo até da própria sombra.

O Progresso não sai do lugar, não progride.

A Política é corrupta, corrompida e cada vez mais corruptível.

O Cidadania não é nem bem gente, quanto mais tem alguma dignidade.

A Justiça continua cega, lenta, e agora deve ter Alzheimer.

O Emprego acabou de ser demitido.

A Economia está sem um tostão no furado o bolso.

Está tudo fora dos eixos.
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E é assim que deve continuar a ser?
Vamos nos sentar todos na calçada do subdesenvolvimento, lamentando a precária situação da Nação, ao invés de nos levantarmos e seguirmos na estrada da História, fazendo valer, levando à sério a tal "Ordem e Progresso" que está impressa em nossa bandeira nacional?

Apenas pense se está disposto ser um brasileiro de fato e lutar em prol da nossa terra, montar um estandarte pela nossa pátria, para então ter orgulho de viver aqui e ser parte dessa Nação; ou se preferimos viver no comodismo, mas acomodados na lama.

VIVER PALAVRA

Estes tempos chegados de aula me deixam pouca alternativa quanto à boa elaboração de textos; simplesmente não terei tempo hábil, criatividade disponível e energia de espírito para fazê-lo.
Uma pena.

Porém, ainda posso ater-me à pequenez das frases curtas, lapidadas ao máximo.
É simples, bem simples.

Porque eu vivo as palavras.

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~Eu tenho alma de artista.
~Eu tenho mente de cientista.
~Eu tenho coração de humanista.

domingo, 16 de agosto de 2009

FELI{Z}-CIDADE

A felicidade não está em um lugar, ela é um lugar; para mim ela é materializada naquele lugar.
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Preciso descobrir para onde foram o Don Quixote e o Sancho Pança do Conjunto Nacional! Será que partiram em uma alucinante aventura!?
Devem ter saído avante pela Augusta, em disparada, descendo a rua; fazendo como eu mesma costumo fazer, descobrindo a liberdade da cidade!
Mesmo num belo palácio, ninguém pode sentir-se pleno se estiver preso, amarrado, atado.
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[Paulistânia]

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

DIFERENTE-MENTE

Minha vida está se mediocrizando e ficando cada vez mais atada à virtualidade; se pudesse, viraria as noites nesta máquina, morando na Internet. Não sou mais quem costumava ser, ninguém mais o é. Não vivemos a vida plenamente nesta época e-maluquecida. Estamos aqui -- quase todos nós pessoas -- conectadas, dia e noite, noite e dia; mas estamos separados pelas mesmas teias que nos ligam.
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Passar incontáveis horas aqui não é de todo mal, já que encontro algumas pequenas maravilhas. Vamos aos meus achados de hoje!

Nas andanças diárias por diversos blogs, encontrei um texto de um jornalista - já falecido, por acaso - mais conhecido como Artur da Távola.
Aprecie-o sem moderação!

A Alma dos Diferentes
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“... Ah, o diferente, esse ser especial!
Diferente não é quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.
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Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não agüentar, caso um dia venham, a ser.
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O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição. O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias, adiadas; esperanças, mortas.
Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.
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Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride. Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.
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O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer – alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual: a inveja do comum; o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.
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O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em: "Puxa, fulano, como você é complicado". O que é o embrião de um estilo próprio em: "Você não está vendo como todo mundo faz?”
O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.
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Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham. É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde os outros ganham.
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Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Ele aprendeu a superar riso, deboche, escárnio, e consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.
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Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados, magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de espinhas, de mumunha, de malícia ou de baba. Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais. A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.
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Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.”
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- Ser diferente não é previlégio, nem sina; é característica intrínseca. Percebe?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

QUOTES

Citações, ao meu ver, são fragmentos de genuíno conhecimento, porém compactados, simplificados.

> Uma vez, alguém disse que "até as noções mais complexas podem ser - elegantemente - reduzidas a um conjunto de princípios fundamentais simples"; acertou em cheio, e decerto que signore Da Vinci adoraria ver seu mundo assim, todo sofisticadamente simples.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

CONFESSO

Logo de início, confesso-lhes que não sou escritora. Sou uma aspirante à, nada mais.
Não tenho habilidade com as palavras, não sei tratá-las, moldá-las e organizá-las harmoniosamente nas frases como um compositor faz com as notas de sua música. Não sei dar leveza a um texto, encadear ideias e nem ao longe empregar um argumento preciso durante a exposição de um raciocínio.

Não posso aprofundar-me no sentimento e criar poesia de qualidade; não consigo exprimir o que de fato quero dizer, e pior, por mais que intente em criar uma narrativa envolvente, nada sai, nada sai.

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Portanto, descubro-me apenas leitora. Ávida, voraz, constantemente em ação, convicta e incontrolável. Leio obras da vasta literatura universal, bulas de remédios, jornais, best-sellers, dicionários, revistas, placas de rua, poemas, anotações em papéis, citações.. leio o mundo.-E sendo assim, tudo aquilo que vier a escrever, não é meramente de mérito meu, nem puramente fruto de minha imaginação; Vêm daquilo que me foi possível ver, que me foi permitido entender sobre aquilo que me cerca.
Meus escritos são provenientes da visão de mundo que coleciono, suavemente lapidada pela minha mente.Talvez meus olhos vejam um mundo distorcido, torto, difuso, confuso, caótico; O que se reflete diretamente nos textos meus.

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Então limito-me a ser leitora, e um só tempo escrevinhar alguns rabiscos, alguns rascunhos; Contenho-me na minha pequenez e faço daqui um espaço para colocar estas obras-primas da minha cabeça de papel!

DESBOTAR-SE-Á

Devo ter escrito este texto há poucos meses atrás; hoje, minha página está novamente em branco. Toda a coloração que ele -- não identificado aqui, por razões óbvias -- deixou impressa em minh'alma, foi-se. Exatamente como eu desejei. Restaram apenas os versos; versos soltos e feitos de vento.

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Se pudesse facilmente arrancar-lhe do meu peito, já o teria feito.

Não o queria abrigado mais em minha alma, não mais.

Luto veementemente contra o aconchego com que você se instala nas profundezas do meu ser.

Colocá-lo-ia para fora, expulsá-lo-ia daqui de dentro, se me fosse permitido.

Mas, impossibilitada de lutar contra os implacáveis destino, e alma, e coração, espero somente que você se retire vagarosamente.

Serei contente novamente quando notar que já não o percebo fazendo parte de minhas ideias, de meus planos; do meu cotidiano.

Viverei plenamente ao não mais me recordar do seu sorriso por qualquer mero fato inusitado; tal qual o faço, constantemente.

Aguardarei pacientemente que cada singelo pedaço teu, cada mísera lembrança tua, saia de mim.

Como uma roupa que desbota, perdendo sua cor, você irá desfalecer-se em minha memória, perdendo sua vividez.

O tempo, senhor da vida, senhor de tudo, se encarregará do que eu, sozinha, não posso sequer ousar fazer.


(!)

domingo, 9 de agosto de 2009

PENSAMENTOS ESPALHADOS

FORMA-FUNÇÃO



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ESSÊNCIA-APARÊNCIA






-Ser inteligente E sensível.





Tudo precisa ser assim tão genérico, tão sem vida!?




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Sustentável; Durável; Permanentemente mutante!



PENSE POR SI MESMO; QUESTIONE A AUTORIDADE.


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HOW WE DO. NOT JUST WHAT AND WHY; IT'S HOW.



Usar o que temos, da melhor maneira possível: Efficiency.


Tudo junto, tudo misturado, tudo em um só: Sinestesia.

-x-


BE UNIQUE; AUTHENTIC.


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Qualidade é o que importa, e não beleza. Não deve ser bonito, só deve não ser neutro; deve provocar reações nas pessoas.

~ Obra de concretismo, vá lá;

sábado, 8 de agosto de 2009

O TEMPO E SEU RITMO

Adoro certos filmes adocicados. O frescor deles têm um quê de especial; como se quisessem à qualquer custo ser vivos como a própria vida o é, mas não atingem esta perfeição, são meras cópias.
{A arte imita a vida, ou a vida imita a arte?/ Mas não é isto que está em questão, minha observação agora é outra - haverá um espaço para falar de arte, certamente, pena que não seja este.}

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Há certos personagens que são mágicos, encantados. Leopold é um deles, sem sombra de dúvida.

Hugh Jackman, o ator australiano que de tão versátil que é, consegue interpretar o bruto Wolverine e a um só tempo também se encaixa perfeitamente no papel do charmoso cavalheiro vindo do século 19, ninguém menos que Leopold.



O homem perfeito. Educado, polido, gentil. Preocupado com o bem-estar da amada, faz de tudo para agradá-la, é deliciosamente romântico. Veste-se impecavelmente, anda sempre com um sorriso nos lábios - o belo sorriso de canto de boca - e todo seu gestual reflete sua sofisticação e sua simplicidade. O sonho de toda e qualquer mulher que se preze.

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No entanto, não foi isto que me chamou mais a atenção. Foram suas falas marcantes. Foi sua maneira de ser, e de ver o mundo. Algumas preciosidades do filme coloco aqui agora:

~"Ora, mas nesta época de agora vocês têm todas as facilidades, e não encontram tempo para a integridade? Vocês refinam a mentira até que ela aparente uma verdade?"

~"Tudo é melhor assim, num ritmo mais lento, numa dinâmica lenta. Assim a vida não exaure a sua beleza natural." (esta merece uma explanação: esta frase foi dita após um final de semana, passado ao melhor estilo vitoriano.)

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Doce e sábio Leopold.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

JUVENTUDE

Cada vez que tenho o (des)prazer de compatilhar alguns momentos com jovens da minha geração, os nascidos depois da queda do Muro, eu me espanto mais e mais com o comportamento de meus companheiros de idade.
Como será que cabe tanta futilidade, falta de seriedade, e apreço pela aparência compactado em tão pouco espaço de tempo de vivência? O meu desalento é ter a impressão de que não é relevante pensar, de que uma cultura extensa não é desejável, ou pior, que nada disto está na moda; pois posso perceber -- por experiência própria, diga-se -- que não é absolutamente necessário ter anos e anos de bagagem para ter um pouquinho de bom-senso, ou seja lá o que os adultos, em sua grande maioria, têm - ou deveriam ter.
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Ser jovem não pode significar ser rebelde ou revoltado, sem que haja o mínimo fundamento para sê-lo. Ser jovem deve significar ter a cabeça aberta para as novas ideias e conceitos, ser mais flexível, mas não ter a mente desnaturada -- imatura, não-madura como uma jaca verde -- e incapaz de ser utilizada propriamente.
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Acho que até Freud ficaria perdido nesse mar de ignorância, cegueira e insolência juvenil.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

PENSAMOS, LOGO SOMOS HUMANOS

-x-
Ocorre-me uma ideia agora.
Mais que isto, é uma indagação o que me veio à mente.
Não cheguei a nenhuma conclusão ainda, afinal, não saí nem da pergunta, que é:
Pensamos todos? Ou pensar é privilégio de alguns?
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Não me refiro ao pensar biológico, pois todos que têm cérebro fazem a tal da sinapse, e por consequência pensam. Estou querendo fisgar o sentido nobre da palavra 'pensar'.
Gostaria de saber é se todos, ao menos uma vez em vida já se questionaram o sentido da existência. Ou, quais rumos tomaremos. Ou ainda, de onde veio toda essa bagunça chamada Universo.
Gostaria que me respondessem se alguém deixou de se auto-analisar e o que lhe cerca, e de buscar uma verdade além daquilo que é óbvio e notório.
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Gostaria de compreender a ignorância humana; a pura e simples ignorância.
Se talvez alguém pudesse me esclarecer de onde vem tanta falta de conhecimento, de juízo moral e de senso de mundo, eu não questionasse mais se meus companheiros de jornada alguma vez se questionaram como eu o faço agora.
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~As velhas perguntas, e a velha falta de respostas.

DE BRISA E DE SONHO SE FAZ A VIDA

A nostálgica infância me traz boas recordações, assim como deveria de ser. Meus dias eram sempre iguais e sempre diferentes. Gostava de brincar e saltitar, como qualquer infante comum; mas também de pensar, o que já não era lá muito usual entre as criancinhas de 4 ou 5 anos. Eu achava delicioso pensar em tudo ou pensar em nada. Minha principal diversão durante toda minha vida, recente que é, fora uma só: passar horas a fio matutando alguma ideia na minha cabeça de papel. E temo que continuará a ser esta mesma, durante a jornada que se traça ante meus pés.
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Deitar na cama, no chão, na grama, no sofá, aonde quer que fosse, e simplesmente deixar a imaginação correr solta; libertar a mente, e fazer com que apenas ela, e mais nada, seja o limite. Isso me entretêm como nenhuma outra coisa feita de matéria, seja ela orgânica ou inorgânica. Quando menina pequena, quaisquer brinquedos que tivesse, quaisquer amigos, quaisquer coisas que fossem, perdiam a vez frente a esta minha 'atividade', ou também face a um outro maravilhoso exercício intelectual, complementar a este meu favorito já descrito, e que é a belíssima descoberta!
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Perguntar, questionar, conversar, interrogar, pesquisar, fuçar, ser curiosa, ler tudo que estava à vista -- de bulas de remédio à dicionários -- me deixava extasiada, me fazia ter cada vez mais empenho em aprender, cada vez mais apreço pelo conhecimento. Talvez seja o inebriante frescor do saber novo, recém adquirido, que ficava reverberando na minha cachola, entorpecendo os neurônios, deixando-os com a sensação de querer mais, como um viciado necessita do objeto de seu vício; mas guardadas as devidas proporções, é claro.
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Engraçado é que, um processo intelectual não funciona sem o outro. É preciso adquirir informação, para ter um arquivo gravado no cérebro -- o meu que deve ser composto de mingau a esta altura de tanto que já estoquei (in)utilidade nele -- e assim, ter condições para fazer com que a mente viaje tranquilamente por um Universo potencial de opções para criação de coisas, aparentemente, novas. Não é mesmo fantástica essa engenhoca que fica dentro do crânio?
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E tem mais dos meus dias de infante. Fui -- e continuo sendo em certa medida -- uma daydreamer, uma sonhadora. Aquela que tinha moralidade elevada, que sabia o que era-certo-e-errado, que tinha muito mais 'noção' que os outros da mesma faixa etária; aquela que fazia papel de mini-adulta, que procurava ser o melhor que pudesse ser, que se preocupava com o caráter, com os que estavam à minha volta.
Mesmo assim, e talvez por ser assim, eu planejava. {Era uma criança, que poderia eu fazer além disto?} Então, reservava ao futuro a ação, ficava apenas na montagem de um esquema de como seria quando finalmente 'crescesse' e pudesse enfim, provar - para mim mesma e para quem mais estivesse interessado em demonstrações de auto afirmação - o meu valor; quem era 'eu' neste planetinha peculiar.
O engraçado é que, apesar de toda essa carga de seriedade, eu era feliz. Era contente, tranquila, serena. Não me cobrava de nada. Era a pura essência de mim, toda inteira, toda orgânica, todo meu interior ficava à mostra na Anielle que se via por fora.
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Infeliz ou felizmente, a vida corre. Avançamos na linha do tempo. Vamos aumentando de tamanho, vamos acrescentando mais e mais saberes ao nosso conteúdo, vamos virando gente grande.
Aprendemos como as coisas de fato são e perdemos a singeleza de imaginarmos-as como deveriam ser. Trocamos a visão do mundo através dos óculos cor-de-rosa, por armação sem lentes. Vemos a realidade nua, crua, e ardilosa.
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E eu amarguei. Endureci. Enrijeci meu eu moldável. Fechei-me em minha casquinha de fino cristal, e me escondi dentro. Nunca mais sairia de lá, prometi, jurei de pés juntos. Fixei uma bandeira de -- quase -- completo isolamento, vivendo somente de brisa.
Ninguém mais veria o que há por dentro; eu era -- ou ainda sou um tanto quanto, não sei por certo -- a resignação feita em gente.
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Mas me é mais delicioso perceber que apesar de ser uma tarefa incrivelmente complicada, posso ser quem eu desejar, tendo consciência desta minha ingenuidade, tendo em vista a alma delicada -- e por esta mesma razão, uma alma não-rasa -- que tenho. Posso ser quem fora um dia, uma vez mais. Posso ser uma versão aprimorada do que fui, se conseguir limpar a visão; se puder ver o mundo de um jeito todo novo, de olhos não-viciados pela maldade. Posso ser melhor ainda, se for hábil o suficiente para arrancar do âmago um pouco de ideal, um mínimo de sonho, se me permitir sair do casulo.
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Só quero ter em mim aquilo que Saramago diz necessitarem as cidades de serem: limpas, cultas, livres, modernas e organizadas. (Talvez saudável seria bom de ser também!)
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O que posso mais querer além da tríade verdade-justiça-liberdade?
Sou/seria/serei completa deste modo.

~Vivo de fragmentos de momentos únicos; de retalhos de humanidade sincera; de pedacinhos de ilusão persistente.

A LÍNGUA/

Já dizia alguém que 'a língua é a porta de entrada de uma cultura', referindo-se àquela matriz de conhecimento, através da qual temos acesso a todos outros conhecimentos existentes - ou aqueles que ainda não são fatos consumados. Afinal, nós pensamos, sentimos, comunicamos, e criamos na língua materna; nós somos na língua-mãe.

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E a viagem pelo Universo mágico e encantado(r) de uma Língua não poderia ser menos empolgante e rica - riquíssima que foi para mim no Museu da Língua Portuguesa.


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Ver um espaço, no coração da maior cidade do país -- minha São Paulo querida -- inteiramente dedicado àquela que nos serve de matriz para a nossa expressão e comunicação, e mais, àquela que é a matiz da nobre arte que é a Literatura, foi simplesmente extasiante; a palavra translúcida mostrada ali, amada ali, é viva, é fonte de vida. Fez-me notar que jamais poderei deixá-la, independente de onde resida, de que faça profissionalmente, de quem eu venha a ser, durante todo meu viver, viverei nas palavras e das palavras; Para sempre amarei as Letras.