quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

COMO? COMO? COMO?

Como é que neste mundo-da-curta-duração eu conseguirei ler um romance russo do começo ao fim? Terei de me contentar com mini-poemas em caixas de fósforo.

Como é que neste mundo-do-instântaneo eu consgeuirei manter uma amizade por mais de cinco primaveras? Terei de me contentar com as pessoas que me alegram as horas de trânsito em transportes públicos.

Como é que neste mundo-do-imediato eu conseguirei construir pensamentos sólidos e edificar um caráter corente? Terei de me contentar em ser tragada pela multidão e ser um autômato.

A última ideia faz minha alma se revolver; não é para ser assim, não pode ser assim.

Terei é de pensar em uma solução para as desgraças da vida contemporânea.

DESCOBERTA

~~~ A ousadia é a rotina da invenção;

POTENCIAL CONCENTRADO

E não é que a Agência Fapesp sempre traz as melhores notícias de inovação científica?

~http://www.agencia.fapesp.br/materia/10483/noticias/potencial-concentrado.htm

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

EO> parte 1

~Vamos então ao que me tocou:

".. o pedestal antropológico sobre o qual se constituirão todas as exortações a um mundo novo e no qual está aparafusada uma certeza fundamental: os homens, que se perdem por desejar, melhor fariam se se limitassem às suas necessidades. Num mundo em que o húbris do desejo for amordaçado, poderá nascer uma organização social nova, isenta de lutas, opressões e hierarquias deletérias."

"Aparentemente, de vez em quando os adultos têm tempo de sentar e comtemplar o desastre que é a vida deles. Então se lamentam sem compreender e, como moscas que sempre batem na mesma vidraça, se agitam, sofrem, definham, se deprimem e se interrogam sobre a engrenagem que os levou ali aonde não queriam ir."

".. é simples entender. O problema é que os filhos acreditam nos discursos dos adultos e, ao se tornar adultos, vingam-se enganando os próprios filhos. 'A vida tem um sentido que os adultos conhecem' é a mentira universal em que todo mundo é obrigado a acreditar. Quando, na idade adulta, compreende-se que é mentira, é tarde demais. O mistério permance intacto, mas toda a energia disponível foi gasta há tempo em atividades estúpidas. Só resta anestesiar-se, do jeito que der, tentado ocultar a fato de que não se encontra nenhum sentido na própria vida e enganando os próprios filhos para tentar melhor se convencer."

".. uma juventude tentando rentabilizar sua inteligência, espremer como um limão o filão dos estudos e garantir uma posição de elite, e depois uma vida inteira a se indagar com pavor por que essas esperanças desembocaram numa vida tão inútil. As pessoas creem perseguir as estrelas e acabam como peixes-vermelhos num aquário. Fico pensando se não seria mais simples ensinar desde o início às crianças que a vida é absurda. Isso privaria a infância de alguns bons momentos, mas faria o adulto ganhar um tempo considerável - sem falar que, pelo menos, seríamos poupados de um traumatismo, o do aquário."

".. ninguém parece ter pensado no fato de que, se a existência é absurda, ser brilhantemente bem-sucedido tem tanto valor quanto fracassar. É apenas mais confortável. E mais: acho que a lucidez torna o sucesso amargo, ao passo que a mediocridade espera sempre alguma coisa." "Pensando bem, estamos programados para acreditar no que não existe, porque somos seres vivos que não querem sofrer. Então não vamos gastar todas as nossas forças para nos convencer de que há coisas que valem a pena e de que é por isso que a vida não tem sentido." "Os adultos têm uma relação histérica com a morte, que toma proporções enormes, eles fazem um escarcéu, quando na verdade é o acontecimento mais banal do mundo."

"O que me importa mesmo não é a coisa, é o modo de fazer."

LIVROS

Há livros que interferiram no meu modo de ver o mundo. E não são apenas óculos que enegreceram minhas vistas, ou cor-de-rosa, com capacidade de tornar tudo mais suave, mais alegre.
Estes livros são lentes da verdade, que me fizeram enxergar as coisas como são, me fizeram ver o que há de mais real para se ver.

Um livro em especial, aquele que estou lendo atualmente, está alterando a composição da minha essência. Sutilmente.
Chama-se a Elegância do Ouriço.

Na próxima postagem, irei reproduzir as passagens mais brilhantes dessa obra-prima da literatura.

sábado, 26 de dezembro de 2009

SABER VIVER Nº1

Eu estava aqui, pensando sobre a vida e me ocorreram duas ideias. Uma é a de que a vida nunca está de acordo com aquilo que desejamos que ela seja, e duas, é que frequentemente não estamos cientes do estado de espírito daquele momento, ou seja, jamais sabemos que somos felizes se estivermos felizes naquele instante. O que é extremamente triste e incoerente, diga-se.

Ter consciência de que nossos planos sempre são frustrados é um ponto importante do manual de regras 'saber viver'. De uma forma ou de outra, nossas expectativas não se concretizam e todos - absolutamente todos - os acontecimentos viram surpresa. Fantástico!

E pior, iremos ter plena ciência de que estávamos satisfeitos, descontentes, pulando de alegria, ou quase definhando na melancolia, realmente, depois que passa o ocorrido. É uma regra intrínseca de viver: ou se pensa sobre algo, ou se vive algo, podendo então, sentir e agir. Tirar conclusões claras - sem deturpações - apenas de longe no tempo.

Sim, a vida tende a ser intangível quando se trata de permitir ser domada pelo homem.~

MADURAR

O madurar das frutas não as faz, necessariamente, mais doces.
Assim como a idade não traz ao homem, necessariamente, a sabedoria.
Lembre-se sempre!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

THERE COMES A TIME

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There comes a time, when alone is not enough.


We need love. We need other people.


There comes a time, when alone is not right anymore.


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domingo, 20 de dezembro de 2009

FIEL

Tenho de ser fiel à minha consciência.
Não queira me convencer pelo método da força, não funcionará.
Não tente me convencer com argumentos baratos, não vai dar certo.
Não pense em me convencer daquilo que não é Verdade.
~~~

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ANDO

> Eu ando pelo mundo, vendo cores que não sei o nome.

< Eu ando pelo mundo, vendo vida que não sei se existe.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

WE CAN BELIEVE IN


ALGUÉM

Alguém consegue me explicar por que me sinto tão sozinha?
Alguém consegue me explicar por que me sinto tão entendiada?
Alguém consegue me explicar por que me sinto tão vazia?!

Será falta de gente?
Será falta de rua?
Será falta de mim?!


Não quero mais viver; não mais, não mais.


*Férias não-felizes.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

FOR A REAL DEAL



~ What will be pointed out in Copenhagen? We shall hope for a real deal.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

TRADUZIR-SE

EU POR ADRIANA>

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim, pesa
Pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte noutra parte
Que é uma questão de vida ou morte
Será arte?
Será arte?

(*)

COMODISMO


É uma boa tirar a cabeça do comodismo! De que serve a cabeça-padrão?


IGUALDADE DE GÊNERO~

Que tal escrever sobre esses assuntos?

- De que forma se expressa, em nossas vidas, a desigualdade de gênero?
- E na escola, meninos e meninas são tratados com diferença?
- Por que são tão grandes as diferenças salariais entre homens e mulheres?
- As mulheres se interessam pelas ciências exatas?
- Onde estão as mulheres indígenas e negras na história e nos espaços de poder?
- O que é feminismo? Os homens podem ser feministas?
- O que você acha do conceito de beleza vinculado pela mídia?
- Você acha que a discriminação racial atinge de forma diferente homens e mulheres?
- Qual a importância da Lei Maria da Penha?
- Sexualidade e reprodução devem andar sempre juntas?
- O que é 'orientação sexual'?
- Meninos e homens também engravidam?
- O que é 'identidade de gênero'?
- As travestis e transexuais sofrem discriminação?
- A homossexualidade é uma das possibilidades de vivermos nossa sexualidade?
- Como as mulheres indígenas e ciganas são consideradas na sociedade brasileira?
- As mulheres da cidade, do campo e da floresta têm os mesmos direitos?


>
"Não se nasce mulher: torna-se"
Simone de Beauvoir

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

BORRÃO

Como é que pude estar tão distante das letras nestes últimos tempos?

Nada escrevia. Nada lia. Nada pensava.
Não conseguia mais fazê-los fluir, queridos vocábulos, nem do habitual jeito tosco, nem de jeito algum. Morriam estancados na superfície da alma. Estavam guerreando lá dentro.

Desde sempre, eu concebera que a única falta que poderia valer com as palavras é falta de papel; não esta tediosa falta de vontade, não está repuganante falta de ideias. Isso seria a tragédia pura para aquele que rabisca e escrevinha e escreve!
E esta doença foi logo me atacar..


-

Também é bem verdade que estive no acalento dos números.
E dos intermináveis exercícios requeridos para o vestibular (eca!).
Eu me deleito nas ciências exatas, sim, mas a felicidade proporcionada pela escrita é incomparável. O êxtase profundo encontra-se em revelar a natureza, a natureza humana através do ato de escrever.
Ah! Que saudade eu estava de me derramar inteira aqui, ali e acolá.


-


Estou novamente aqui.
Que poderia ser mais feliz?
Esta é a vida que quero.


-


Para provar meu estado de espírito lúcido, trago Clarice:


Quero escrever o borrão vermelho de sangue

Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.


Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.


Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.


(*)