Após uma sessão de dois maravilhosos filmes, que tratam sobre mulheres com coragem o suficiente - e um pouco mais - para lutar por aquilo que acreditam, mesmo sob circunstâncias ameaçadoras, acabei me colocando a pensar, em xeque com minhas próprias ideias.
~Quantos não serão os que foram atrás daquilo que os sustenta como verdadeiros seres humanos?
Seja pela liberdade, seja pela verdade, seja pela justiça; eles se moveram além de suas vidas cotidianas e sustentaram aos quatro ventos suas convicções, independente de quanto isto lhes fosse custar. E em muitas das vezes, por se colocar contra o que é vigente e propor mudanças, paga-se um preço altíssimo.
As sufragistas americanas da primeira década do século vinte, organizadas na tutela dos partidos políticos femininos, procuravam estender a democracia a todos, independente de sexo, tentando conceber assim, o direito de voto às mulheres estadunidenses. Estas passariam a escolher seus representantes também; afinal, viviam sob as leis do país, mas não eram sequer consultadas ou convidadas a elaborá-las, portanto, nada mais justo do que fazerem parte do processo.
~Por que as mulheres devem dividir o fardo com os homens e não gozar de direitos ao seu lado?
Foi então estas sufragistas fizeram piquete em frente à Casa Branca - época em que esta era ocupada por Woodrow Wilson -, além de dezenas de comícios e manifestações públicas, utilizando-se de cartazes e faixas no Congresso. Porém, logo após os Estados Unidos declararem sua entrada na Primeira Guerra Mundial, até então a mais temida de todas, houve uma ruptura na ordem geral da sociedade americana; que passou a olhar com maus olhos a estas 'revolucionárias'.
E neste quadro catastrófico, onde o caos se instalava, é que se dá a vitória desta causa. Após mais de 200 voluntárias, as "manifestantes do piquete", terem sido presas - acreditem, acusadas de obstrução de tráfego - e passarem por maus tratos físicos, morais e psicológicos na cadeia, conseguiram atenção da mídia e seu caso ganhou repercussão mundial.
Como poderia o presidente da maior nação democrática do globo sustentar e defender a democracia além de suas fronteiras e negá-la aos cidadãos americanos?
Então, conseguiu-se aprovar no Congresso o sufrágio universal, validando o voto a todo americano e legitimando seu direito de ser representado nas decisões políticas cabíveis a qualquer cidadão.
Isto se deu graças àqueles que, nem por um segundo, titubearam diante de suas crenças.
> Já à segunda história, da jornalista irlandesa Veronica Guerin, dedicarei uma postagem inteira; em breve.
domingo, 18 de outubro de 2009
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