A vida é uma coisa mesmo curiosa e confusa. Chega a ser até irônica quando quer, e por que não engraçada; é caminho que vai e que vem e que vai mais uma vez. As pessoas aparecem e somem e voltam anos depois; os dias são muito felizes, muito tristes ou muito nada; amamos nossa personalidade, nosso jeito de ser, ou detestamos e queremos mudar a todo custo.
Talvez -- e falo assim por não ter certeza absoluta, afinal, tudo pode ser meramente circunstância momentânea -- o mais difícil de se encontrar em uma vida toda é amor.
Não no sentido curto, mas no sentido nobre. O verdadeiro sentimento de plena entrega de si, respeito incondicional e admiração sem cobranças; aquele que só quem vivencia pode saber. Não dá para explicar a alguém como é amor, deve-se amar simplesmente.
Mas, aí é que está a complicação toda.
Os homens e mulheres e crianças e idosos e todo mundo têm medo.
Tendemos a nos proteger na casca e na casaca da individualidade e morreremos assim, sem que ninguém, jamais, tenha tocado nossas almas profundamente se não sairmos da proteção. Fazer cócegas no outro é simples, não precisa de muito. Mexer com o superficial não constitui (quase) nada.
O mérito está em mobilizar o íntimo de outro ao ponto de não parecer pertencente unicamente a si, mas a ambos, de modo a fazer com que haja uma atmosfera que os envolva, que os contenha.
E é claro que ficamos vulneráveis quando deixamos a porta aberta, e tememos que furtem nossa paz; porém é mais curioso não enxergarmos que somos e seremos sempre bombardeados por outros, mesmo que nos escondamos sob as cobertas e choremos, suplicando a solidão.
Eles estão aí, e somente o fato de existirem faz com que sejam relevantes e integrem certa parte de nós. Tudo o que existe nos contempla; por mais distante que esteja no tempo ou no espaço. Nem que seja sutilmente, seremos afetados. Positiva ou negativamente; mas esta não é a questão da pauta.
O ponto é que, a vida em si é sutil. Ou mais precisamente, o valor da vida é sutil.
Então, de que adianta fugir? Seremos mexidos e remexidos de qualquer forma, quer queiramos, quer não. Estaremos sempre arraigados ao outro; então que estejamos atados da forma mais bela e terna, através do amor.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
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