Que tédio ter de falar de mim; do eu, e da vida medíocre que me proponho a viver. Não que esta seja miserável, do ponto de vista do ter, pelo contrário. É-me muito boa.
A questão é outra.
Entedio-me justamente com este fato, a secura humana da minha existência. A falta de gente, de sentimento essencial humano, daquilo que vem de dentro da alma do homem, e só de lá poderia vir.
Falta de envolvimento, falta de verdade; falta de olhar nos olhos, de enxergar outra alma.
Falta da própria alma, do vazio impenetrável e penetrante, que me permeia a todo segundo; do encontro com o eu, e com o mundo.
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Ser sensível já não é o bastante. Afinal, com essa consciência toda de mundo, nada posso realizar. E acabo por me perguntar: o que quereria tanto fazer?
Sofro a dor do mundo, carrego-o nos ombros, como se as costas pesassem duzentos quilos; de medo, de aflição, de dor, de mal. Faço isto porque o vejo como é.
Se não conseguisse enxergar, nada diria; viveria por aí, como tantos outros, inerte, cega, alheia. Sem de fato entender o que me permeia; o que me perpassa; o que me aflige; a vida que tropeça em mim, e se vai sem sequer pedir desculpas, arrogante, de nariz para a lua, pouco se importando com a ferida que deixou exposta pelo pé pesado que fincou no destino.
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Escreveria melhor se soubesse como fazê-lo. Embora talvez o problema não seja a linguagem que uso, irremediavelmente sem controle, sem forma, e sem rebusco; é solta, fluida, densa como a noite e tão simplória que até me espanto, mas não é nada disto. O meu dilema é o conteúdo.
Escrevo somente sobre aquilo que me toca; sobre aquilo que me encanta, porque escrever é libertar. Rabiscar me faz largar todas as amarras que me prendem à realidade indesejada, ou ainda me tentam a arrancar a fina casca de ferida da alma, e deixá-la sangrando, para que me sinta viva; para que me sinta real.
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Ah, o tédio é o mal do século. Deste, do próximo e do outro, e do seguinte.
Temos tudo, e temos o nada. Dos aspectos felizes que a vida deve ter, somos alheios.
Dos materiais, temos aquilo que sempre desejamos ter.
Sabemos nós o que é o amor?
Pleno, puro, cru; massa não-moldada, branca, quase que inerte. Vivo, vivo e vivo.
A grandeza da humanidade perdeu-se; foi embora. Aquilo que deveria estar atado, arraigado à nossas almas, já não é mais completo.
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Precisamos todos expandir nossos horizontes. Precisamos todos ver mais longe, ou mais para dentro.
Precisamos todos ser humanos.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
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