segunda-feira, 10 de agosto de 2009
DESBOTAR-SE-Á
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Se pudesse facilmente arrancar-lhe do meu peito, já o teria feito.
Não o queria abrigado mais em minha alma, não mais.
Luto veementemente contra o aconchego com que você se instala nas profundezas do meu ser.
Colocá-lo-ia para fora, expulsá-lo-ia daqui de dentro, se me fosse permitido.
Mas, impossibilitada de lutar contra os implacáveis destino, e alma, e coração, espero somente que você se retire vagarosamente.
Serei contente novamente quando notar que já não o percebo fazendo parte de minhas ideias, de meus planos; do meu cotidiano.
Viverei plenamente ao não mais me recordar do seu sorriso por qualquer mero fato inusitado; tal qual o faço, constantemente.
Aguardarei pacientemente que cada singelo pedaço teu, cada mísera lembrança tua, saia de mim.
Como uma roupa que desbota, perdendo sua cor, você irá desfalecer-se em minha memória, perdendo sua vividez.
O tempo, senhor da vida, senhor de tudo, se encarregará do que eu, sozinha, não posso sequer ousar fazer.
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domingo, 9 de agosto de 2009
PENSAMENTOS ESPALHADOS
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-Ser inteligente E sensível.
Tudo precisa ser assim tão genérico, tão sem vida!?
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Sustentável; Durável; Permanentemente mutante!
PENSE POR SI MESMO; QUESTIONE A AUTORIDADE.
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HOW WE DO. NOT JUST WHAT AND WHY; IT'S HOW.
Usar o que temos, da melhor maneira possível: Efficiency.
Tudo junto, tudo misturado, tudo em um só: Sinestesia.
-x-
BE UNIQUE; AUTHENTIC.
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Qualidade é o que importa, e não beleza. Não deve ser bonito, só deve não ser neutro; deve provocar reações nas pessoas.
~ Obra de concretismo, vá lá;
sábado, 8 de agosto de 2009
O TEMPO E SEU RITMO

O homem perfeito. Educado, polido, gentil. Preocupado com o bem-estar da amada, faz de tudo para agradá-la, é deliciosamente romântico. Veste-se impecavelmente, anda sempre com um sorriso nos lábios - o belo sorriso de canto de boca - e todo seu gestual reflete sua sofisticação e sua simplicidade. O sonho de toda e qualquer mulher que se preze.
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No entanto, não foi isto que me chamou mais a atenção. Foram suas falas marcantes. Foi sua maneira de ser, e de ver o mundo. Algumas preciosidades do filme coloco aqui agora:
~"Ora, mas nesta época de agora vocês têm todas as facilidades, e não encontram tempo para a integridade? Vocês refinam a mentira até que ela aparente uma verdade?"
~"Tudo é melhor assim, num ritmo mais lento, numa dinâmica lenta. Assim a vida não exaure a sua beleza natural." (esta merece uma explanação: esta frase foi dita após um final de semana, passado ao melhor estilo vitoriano.)
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Doce e sábio Leopold.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
JUVENTUDE
Como será que cabe tanta futilidade, falta de seriedade, e apreço pela aparência compactado em tão pouco espaço de tempo de vivência? O meu desalento é ter a impressão de que não é relevante pensar, de que uma cultura extensa não é desejável, ou pior, que nada disto está na moda; pois posso perceber -- por experiência própria, diga-se -- que não é absolutamente necessário ter anos e anos de bagagem para ter um pouquinho de bom-senso, ou seja lá o que os adultos, em sua grande maioria, têm - ou deveriam ter.
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Ser jovem não pode significar ser rebelde ou revoltado, sem que haja o mínimo fundamento para sê-lo. Ser jovem deve significar ter a cabeça aberta para as novas ideias e conceitos, ser mais flexível, mas não ter a mente desnaturada -- imatura, não-madura como uma jaca verde -- e incapaz de ser utilizada propriamente.
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Acho que até Freud ficaria perdido nesse mar de ignorância, cegueira e insolência juvenil.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
PENSAMOS, LOGO SOMOS HUMANOS
DE BRISA E DE SONHO SE FAZ A VIDA
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Deitar na cama, no chão, na grama, no sofá, aonde quer que fosse, e simplesmente deixar a imaginação correr solta; libertar a mente, e fazer com que apenas ela, e mais nada, seja o limite. Isso me entretêm como nenhuma outra coisa feita de matéria, seja ela orgânica ou inorgânica. Quando menina pequena, quaisquer brinquedos que tivesse, quaisquer amigos, quaisquer coisas que fossem, perdiam a vez frente a esta minha 'atividade', ou também face a um outro maravilhoso exercício intelectual, complementar a este meu favorito já descrito, e que é a belíssima descoberta!
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Perguntar, questionar, conversar, interrogar, pesquisar, fuçar, ser curiosa, ler tudo que estava à vista -- de bulas de remédio à dicionários -- me deixava extasiada, me fazia ter cada vez mais empenho em aprender, cada vez mais apreço pelo conhecimento. Talvez seja o inebriante frescor do saber novo, recém adquirido, que ficava reverberando na minha cachola, entorpecendo os neurônios, deixando-os com a sensação de querer mais, como um viciado necessita do objeto de seu vício; mas guardadas as devidas proporções, é claro.
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Engraçado é que, um processo intelectual não funciona sem o outro. É preciso adquirir informação, para ter um arquivo gravado no cérebro -- o meu que deve ser composto de mingau a esta altura de tanto que já estoquei (in)utilidade nele -- e assim, ter condições para fazer com que a mente viaje tranquilamente por um Universo potencial de opções para criação de coisas, aparentemente, novas. Não é mesmo fantástica essa engenhoca que fica dentro do crânio?
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E tem mais dos meus dias de infante. Fui -- e continuo sendo em certa medida -- uma daydreamer, uma sonhadora. Aquela que tinha moralidade elevada, que sabia o que era-certo-e-errado, que tinha muito mais 'noção' que os outros da mesma faixa etária; aquela que fazia papel de mini-adulta, que procurava ser o melhor que pudesse ser, que se preocupava com o caráter, com os que estavam à minha volta.
Mesmo assim, e talvez por ser assim, eu planejava. {Era uma criança, que poderia eu fazer além disto?} Então, reservava ao futuro a ação, ficava apenas na montagem de um esquema de como seria quando finalmente 'crescesse' e pudesse enfim, provar - para mim mesma e para quem mais estivesse interessado em demonstrações de auto afirmação - o meu valor; quem era 'eu' neste planetinha peculiar.
O engraçado é que, apesar de toda essa carga de seriedade, eu era feliz. Era contente, tranquila, serena. Não me cobrava de nada. Era a pura essência de mim, toda inteira, toda orgânica, todo meu interior ficava à mostra na Anielle que se via por fora.
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Infeliz ou felizmente, a vida corre. Avançamos na linha do tempo. Vamos aumentando de tamanho, vamos acrescentando mais e mais saberes ao nosso conteúdo, vamos virando gente grande.
Aprendemos como as coisas de fato são e perdemos a singeleza de imaginarmos-as como deveriam ser. Trocamos a visão do mundo através dos óculos cor-de-rosa, por armação sem lentes. Vemos a realidade nua, crua, e ardilosa.
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E eu amarguei. Endureci. Enrijeci meu eu moldável. Fechei-me em minha casquinha de fino cristal, e me escondi dentro. Nunca mais sairia de lá, prometi, jurei de pés juntos. Fixei uma bandeira de -- quase -- completo isolamento, vivendo somente de brisa.
Ninguém mais veria o que há por dentro; eu era -- ou ainda sou um tanto quanto, não sei por certo -- a resignação feita em gente.
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Mas me é mais delicioso perceber que apesar de ser uma tarefa incrivelmente complicada, posso ser quem eu desejar, tendo consciência desta minha ingenuidade, tendo em vista a alma delicada -- e por esta mesma razão, uma alma não-rasa -- que tenho. Posso ser quem fora um dia, uma vez mais. Posso ser uma versão aprimorada do que fui, se conseguir limpar a visão; se puder ver o mundo de um jeito todo novo, de olhos não-viciados pela maldade. Posso ser melhor ainda, se for hábil o suficiente para arrancar do âmago um pouco de ideal, um mínimo de sonho, se me permitir sair do casulo.
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Só quero ter em mim aquilo que Saramago diz necessitarem as cidades de serem: limpas, cultas, livres, modernas e organizadas. (Talvez saudável seria bom de ser também!)
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O que posso mais querer além da tríade verdade-justiça-liberdade?
Sou/seria/serei completa deste modo.
~Vivo de fragmentos de momentos únicos; de retalhos de humanidade sincera; de pedacinhos de ilusão persistente.
A LÍNGUA/
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E a viagem pelo Universo mágico e encantado(r) de uma Língua não poderia ser menos empolgante e rica - riquíssima que foi para mim no Museu da Língua Portuguesa.
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Ver um espaço, no coração da maior cidade do país -- minha São Paulo querida -- inteiramente dedicado àquela que nos serve de matriz para a nossa expressão e comunicação, e mais, àquela que é a matiz da nobre arte que é a Literatura, foi simplesmente extasiante; a palavra translúcida mostrada ali, amada ali, é viva, é fonte de vida. Fez-me notar que jamais poderei deixá-la, independente de onde resida, de que faça profissionalmente, de quem eu venha a ser, durante todo meu viver, viverei nas palavras e das palavras; Para sempre amarei as Letras.
