Havia uma garotinha doce. Brincava contente na sua inocência do mundo. Nada sabia, tudo queria saber.
A menininha prometia que iria fazer algo pelos que sofrem, que mudaria aquilo que visse de errado. E ela se sentia aliviada, era apenas uma criança, em nada poderia agir. Mas quando fosse adulta, e poder de decisão tivesse, então iria virar de ponta cabeça os conceitos errados.
Vivia plenamente. Pensava em criar armaduras para se preparar para o momento de mostrar a que veio. Dormia sem hesitar.
Apenas um adulto acreditava nela. Em suas ideias, em seus sonhos, em suas palavras de verdades sutis. E a isto ela entendeu como amor. Ela se perguntava se encontraria tal sentimento alguma outra vez em vida. Talvez não, porém, ainda assim valia a pena viver pela simples existência dele.
Todos os dias, aprendia algo. Sabia que isto era crescer.
Na escola, provou ser a melhor possível.
Em casa, tratava de ser normal. Afinal, no seu refúgio ela poderia vagarosamente ir captando cada lição, sem se esforçar além do que seu tempo permitiria.
A garotinha gostava dos animais e das plantas.
Cuidava delas e detestava ver alguém matar mosquitos e baratas desnecessariamente.
Ela se deliciava ao acariciar vacas e cavalos e dava pulos de alegria ao conseguir segurar o coelho.
Mas se sentia mal ao visitar o zoológico e o oceanário. Cada um deve estar em sua casa, e ali não era a casa daqueles bichos. Eles estavam presos e deveriam ser livres.
E ela cultivava sonhos. Sonhos grandes e sonhos pequenos.
Decidira que iria embora. Precisava se desprender de sua realidade, ver o mundo, ver pessoas desconhecidas, pisar em terras nunca antes pisadas por seus pés, respirar cultura plenamente.
E ela sabia do mal que estava por vir. A imensidão da maldade que acometeria todo o lugar.
O caos havia de se instalar. Isto entristecia profundamente aquele puro coração.
A impotência a fazia chorar, emudecer e fechar-se em seu casulo.
No entanto, ela era forte. Sua mente era determinada e sua alma fortaleza quase inabalável.
Com um sorriso disfarçava aquilo que sabia e conquistava os adultos à sua volta.
Todos os dias, tratava de fazer o que sabia melhor. Absorver conhecimento como uma esponja absorve a água. Mais e mais, queria sempre mais.
Os anos passaram-se e cá está a menininha. Trazendo o mesmos sonhos na bagagem, as mesmas verdades, os mesmo temores, e a mesma inocência do mundo.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
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