quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

CILADA

o seu tempo acabou, entenda de uma vez.
você se deixou ficar num passado recente, foi uma escolha deliberadamente sua.
não venha com ares de inocente, de impotente.
por que me procurar agora?
desejo-lhe imensidões de felicidade, mas não necessito mais de tua presença para ter preenchida a minha.
e não me arrependo em nada de ter lhe permitido virar borrão de memória.
que quero contigo em meus dias?
menos sorrisos, mais dor?
certamente não mais.
estou muitíssimo contente sem ti.
meus olhos brilham, minhas pernas correm, meu eu sacode vibrando.
em que me seria bom tê-lo aqui?
em nada, não me deixo cair na cilada de admirá-lo, não mais.

só me resta uma dúvida pertinente: por que voltastes?
fiquei como e onde estás.
lembrou-se de meus carinhos?
lembrou-se de meus derramamentos de doçura?
pois acabou-se.
a oportunidade foi dada, os dados do destino lançados à nossa sorte, e você escolheu a omissão.
escolheu não querer compartilhar ideias comigo.
escolheu manter-se em seu casulo.
então, entenda de uma vez, o seu tempo acabou.

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