quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

MULHER

Chega de representar o papel de dona de casa, manequim e de objeto sexual.
Quero ser mulher.

UMA MENININHA

Havia uma garotinha doce. Brincava contente na sua inocência do mundo. Nada sabia, tudo queria saber.

A menininha prometia que iria fazer algo pelos que sofrem, que mudaria aquilo que visse de errado. E ela se sentia aliviada, era apenas uma criança, em nada poderia agir. Mas quando fosse adulta, e poder de decisão tivesse, então iria virar de ponta cabeça os conceitos errados.

Vivia plenamente. Pensava em criar armaduras para se preparar para o momento de mostrar a que veio. Dormia sem hesitar.

Apenas um adulto acreditava nela. Em suas ideias, em seus sonhos, em suas palavras de verdades sutis. E a isto ela entendeu como amor. Ela se perguntava se encontraria tal sentimento alguma outra vez em vida. Talvez não, porém, ainda assim valia a pena viver pela simples existência dele.

Todos os dias, aprendia algo. Sabia que isto era crescer.
Na escola, provou ser a melhor possível.
Em casa, tratava de ser normal. Afinal, no seu refúgio ela poderia vagarosamente ir captando cada lição, sem se esforçar além do que seu tempo permitiria.

A garotinha gostava dos animais e das plantas.
Cuidava delas e detestava ver alguém matar mosquitos e baratas desnecessariamente.
Ela se deliciava ao acariciar vacas e cavalos e dava pulos de alegria ao conseguir segurar o coelho.
Mas se sentia mal ao visitar o zoológico e o oceanário. Cada um deve estar em sua casa, e ali não era a casa daqueles bichos. Eles estavam presos e deveriam ser livres.

E ela cultivava sonhos. Sonhos grandes e sonhos pequenos.
Decidira que iria embora. Precisava se desprender de sua realidade, ver o mundo, ver pessoas desconhecidas, pisar em terras nunca antes pisadas por seus pés, respirar cultura plenamente.

E ela sabia do mal que estava por vir. A imensidão da maldade que acometeria todo o lugar.
O caos havia de se instalar. Isto entristecia profundamente aquele puro coração.
A impotência a fazia chorar, emudecer e fechar-se em seu casulo.
No entanto, ela era forte. Sua mente era determinada e sua alma fortaleza quase inabalável.
Com um sorriso disfarçava aquilo que sabia e conquistava os adultos à sua volta.

Todos os dias, tratava de fazer o que sabia melhor. Absorver conhecimento como uma esponja absorve a água. Mais e mais, queria sempre mais.
Os anos passaram-se e cá está a menininha. Trazendo o mesmos sonhos na bagagem, as mesmas verdades, os mesmo temores, e a mesma inocência do mundo.

ESQUADROS

Eu ando pelo mundo.
Cadê minha alegria?
Cadê meu cansaço?
Eu acordei, não tem ninguém ao lado.

(Eu vejo tudo enquadrado, remoto controle)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

FALSAS IMPRESSÕES

Por que você acha que vou lhe mostrar a transparência da minha alma novamente?
Por que você acha que vou lhe aceitar de braços abertos novamente?
Por que você acha que vou te colocar em um pedestal novamente?
Por que você acha que vou novamente lhe permitir ser quem você nunca foi?
Esqueça falsas impressões, o jogo mudou.

CILADA

o seu tempo acabou, entenda de uma vez.
você se deixou ficar num passado recente, foi uma escolha deliberadamente sua.
não venha com ares de inocente, de impotente.
por que me procurar agora?
desejo-lhe imensidões de felicidade, mas não necessito mais de tua presença para ter preenchida a minha.
e não me arrependo em nada de ter lhe permitido virar borrão de memória.
que quero contigo em meus dias?
menos sorrisos, mais dor?
certamente não mais.
estou muitíssimo contente sem ti.
meus olhos brilham, minhas pernas correm, meu eu sacode vibrando.
em que me seria bom tê-lo aqui?
em nada, não me deixo cair na cilada de admirá-lo, não mais.

só me resta uma dúvida pertinente: por que voltastes?
fiquei como e onde estás.
lembrou-se de meus carinhos?
lembrou-se de meus derramamentos de doçura?
pois acabou-se.
a oportunidade foi dada, os dados do destino lançados à nossa sorte, e você escolheu a omissão.
escolheu não querer compartilhar ideias comigo.
escolheu manter-se em seu casulo.
então, entenda de uma vez, o seu tempo acabou.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

DÓI SIM

Sim, dói muito.
Que pergunta mais estúpida as pessoas têm me feito, assim que me veem com esse capacete enorme na cabeça: "Ah, mas dói?"
Eu deveria responder 'obviamente que não, foram feitas incisões nas minhas orelhas, descolada a pele, removidas cartilagens, tudo costurado e colocado novamente no lugar, sem contar todo o sangue que escorreu no meu rosto durante o procedimento, no entanto, é claro que é muito prazeroso!'.
Levando ao extremo, eu deveria dizer que é alguma moda nova essa das ataduras no verão. Envolvendo todo o rosto, desde o queixo até o topo da cabeça, lá vem Anielle, diretamente do Alasca, com seu novo modelito: il capaceton. Poupem-me, por favor.
~

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

FINALMENTE

Até que enfim alguém entende o por que não quero sair de casa quando a enxaqueca me pega de jeito: http://www.agencia.fapesp.br/materia/11607/divulgacao-cientifica/por-que-a-luz-piora-a-enxaqueca.htm

:)