quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A LÍNGUA/

Já dizia alguém que 'a língua é a porta de entrada de uma cultura', referindo-se àquela matriz de conhecimento, através da qual temos acesso a todos outros conhecimentos existentes - ou aqueles que ainda não são fatos consumados. Afinal, nós pensamos, sentimos, comunicamos, e criamos na língua materna; nós somos na língua-mãe.

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E a viagem pelo Universo mágico e encantado(r) de uma Língua não poderia ser menos empolgante e rica - riquíssima que foi para mim no Museu da Língua Portuguesa.


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Ver um espaço, no coração da maior cidade do país -- minha São Paulo querida -- inteiramente dedicado àquela que nos serve de matriz para a nossa expressão e comunicação, e mais, àquela que é a matiz da nobre arte que é a Literatura, foi simplesmente extasiante; a palavra translúcida mostrada ali, amada ali, é viva, é fonte de vida. Fez-me notar que jamais poderei deixá-la, independente de onde resida, de que faça profissionalmente, de quem eu venha a ser, durante todo meu viver, viverei nas palavras e das palavras; Para sempre amarei as Letras.


terça-feira, 28 de julho de 2009

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO FOTOGRAFADA


-x-

Todo computador precisa de uma faxina; de vez em quando, porque o hard-disk está ficando lotado. E é então que eu me pego 'limpando' as imagens, fazendo uma geral. Apagando as feinhas, as que o pessoal saiu todo torto, com olhos vermelhos - pois dependendo da data da foto, as máquinas não tinham o super-recurso-anti-olhos-vermelhos - e o que mais não estivesse imbuído de significado ou beleza suficientes para serem armazenados até a próxima limpeza.
Mas não é que no meio desta tarefa exaustiva - que eu adoro, porque não perco uma oportunidade de uma boa arrumação - eu me deparo com esta foto.
Eu estava na fazenda, e devo ter cerca de quê? Uns quatro anos; e me vestiram de caipirinha - pronta para mais uma festa junina - me mandaram segurar a capa da máquina fotogrática, a bela Pentax do meu pai, e tchan, me pediram para sorrir.
Deu no que deu!

O QUE VEM A SER UM ENSAIO?

>Ensaio é um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo idéias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, literário, etc.), sem que se paute em formalidades como documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico. O ensaio assume a forma livre e assistemática sem um estilo definido. Por essa razão, o filósofo espanhol José Ortega y Gasset o definiu como "a ciência sem prova explícita".

-Ensaístas:

# George Orwell
# Leon Tolstoy
# Henry David Thoreau
# Aldous Huxley
# Voltaire
# C. S. Lewis
# Michel de Montaigne
# Albert Camus
# Paul Valèry
# Thomas Carlyle
# Gilbert Chesterton
# Miguel de Unamuno
# Antero de Quental
# Thomas Mann
# Ralph Emerson
# John Ruskin
# Alexandre Herculano
# Montesquieu
# Alexander Pope
# Daniel Defoe
# John Locke
# Francis Bacon
# José Ortega y Gasset
# George Bernard Shaw

segunda-feira, 27 de julho de 2009

12

{Encontrando um texto antigo - vá lá, nem é tão idoso assim - resolvi colocá-lo aqui.
Delicie-se com seu frescor!}




Este último dia doze de junho foi o dia mais esperado do ano pelos casais de pombinhos apaixonados: o dia dos namorados; quando o aflorescimento das paixões é recomendado de ser publicamente demonstrado, quando todos os amantes estão permitidos a amar livremente.

E por conta de tal ocasião, houve uma deixa no dia anterior, para que aquele familiar, o chato-importunador-de-plantão, comparável na inconveniência à tia-apertadora-de-bochecha, me viesse fazer a fatídica pergunta; aquela que todos os presentes no almoço estavam tremelicando por dentro de curiosidade para saber a resposta, mas que não teriam sequer um pouco de audácia para fazê-la. Cá está a cruel interrogação: 'E então, não vai sair com o seu namorado amanhã?'

Minha fértil mente que espanta suas teias ao menor ruído de novidade, ao surgir do acontecimento mais banal, mais vulgar, pôs-se a pensar. Depois de vários anos de respostas vazias, secas, inertes e sem-graça como 'não, não vou ver ninguém' e 'não há namorado algum' consecutivas, e estando completamente entediada destas, resolvi basear-me em um texto de Drummond para me deliciar com a dúvida da incerteza que deixei pairando no ar; repliquei-o imediatamente com um singelo e nada confortável 'talvez'.
Com isto, consegui fazer com que uns alguéns ficassem com a cara coberta de enigma; tentando interpretar aquilo que eu acabara de dizer. Se entenderam-me, não sei; não era esta mesmo a intenção.


Gostei foi da travessura de gente pequena; brincadeira boba e inofensiva.E para mim, entre eu e eu, aqui comigo, nenhuma resposta poderia ser mais precisa. Afinal, vivo o lúdico do enlou-crescer, deixando exposta minha humanidade latente; danço com o sonho e corro atrás da vida, como faz a menina que persegue as folhas a voar no vento lufante. Para tornar real, firme e concreto o antigo desejo, falta-me apenas o bem-querer. Quem sabe então, a permear meu destino presente ou longínquo, não esteja à minha espera aquele que poderá valsar a vida no mesmo ritmo que eu?


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O texto que me inspirou a fazer tal façanha, faz-se aqui presente:

"Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade.

Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical na Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos; ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar.Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça."

Obra do tal do Carlos Drummond.

sábado, 25 de julho de 2009

PROGRAMA DE RÁDIO

Estava eu, tranquilamente passando a ferro meu tecido estampado da nova bolsa - que está em processo de fabricação - quando então ouço o rádio mencionar o nome de um jornalista da famigerada Folha de São Paulo, o senhor Gilberto Dimenstein. Para efeitos de esclarecimento, eu não estava em nenhum cômodo aleatório da casa, é que o tal do aparelho de som fica mesmo é na lavanderia, onde a doméstica pode utilizar-se dele enquanto executa a tarefa incrivelmente entediante de alisar panos; talvez deixá-lo por lá seja uma gentileza para com a pobre moça que faz este tão duro trabalho na residência.

Então, como a curiosidade é um comichão que vai crescendo e domina por completo, cessando apenas ao ser revelado o conteúdo daquilo que despertou o sentimento, resolvi aumentar o volume. Quem sabe o proeminente intelectual teria algo tocante a dizer, e mais, mal eu tinha noção que ele, como muitos outros profissionais desta área, fazia outra coisa além de ser parte de um conselho editorial do jornal, por isso quis saber o que ele falava na Globo, logo pela manhã.


Neste momento é que ele descarrega um tonelada de críticas em cima do 'jovem'.

Segundo sua opinião pessoal - meramente, é claro - os adolescentes e jovens adultos de hoje em dia estão preocupados demais com o seu estilo, com o seu consumismo, a despeito da leitura e a cultura em si. O que lhes é de maior relevância é o seu 'modo de vida', no qual aqueles que um dia foram os pequerruchos das mamães, agora procuram enquadrar-se em um grupo, uma tribo, seja esta emo, demo ou o inferno; aqueles que futuramente - em questão de poucos anos, ou seja, muito em breve - irão compor não só o mercado de trabalho brasileiro, como também serão parte da sociedade responsável pelas decisões do país, estão - ainda - discutindo apaixonadamente aquilo que já é fato, ao invés de viver a vida, que é simples, que é clara; os meninos e meninas já quase totalmente crescidos, que são o futuro desta nação, estão tão empenhados em contabilizar o número de brincos do rosto, ou de tatuagens espalhadas pelo corpo, que se acabam se esquecendo do seu conteúdo interno. O jovem está com uma seríssima doença de comportamento.





Se meus pensamentos falassem, já teriam dito isto, e há tempos!

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Deste programa de rádio chego à algumas conclusões:

É terminantemente complicado ser um jovem 'normal' nesta época, pois afinal, a imagem de imaturidade/inconsequência/imprudência/descompromisso está tão disseminada entre os adultos-adultos -- os indivíduos que nasceram antes dos anos setenta, com idade suficiente para serem os pais da vez e terem filhos beirando os vinte, pouco mais ou pouco menos -- que quando um pobre alguém decide-se por escapar desta padronização medíocre, não é creditado de confiança em sua 'diferença' dos demais mentecaptos; é simplesmente julgado como se fosse mais um do rebanho que segue a moda.



Buscar aperfeiçoamento de si mesmo e de seu conhecimento soa incompatível com a juventude, é quase como se não fosse adequado para aqueles que são jovens terem um mínino de bom senso, uma tênue noção de mundo que seja coerente e viável; e pior, aqueles que não são adeptos do sexo-drogas-e-rebolation -- que substitui o antigo sexo-drogas-e-rock'n roll -- são marginalizados e levam fama de 'nerds' -- os intelectuais chatos e caretas -- ou pior, simplesmente ficam deslocados de qualquer convívio social que se preze. Voltando assim, à mesma ladainha de separar os de pouca idade por grupos estereotipados.


É mais que verdade que toda fase da vida tem sua crise, mas existe um certo limite para tal desajuste da realidade. Fixar os parâmetros da vida nestes movimentos passageiros - com pinta de culturais - é uma tremenda de uma burrice. É querer traduzir o incerto da personalidade de cada ser humano que é mutável ao longo da vida, em um único padrão, de serventia para diversos indivíduos. Certamente que não há efeito nesta tentativa, e todo mundo fica frustrado: o jovem, por estar sempre desencaixado, o adulto por não entender nada, e a criança por ter pela frente a perspectiva de uma adolescência marcada por engaiolamentos comportamentais.

~ Shall we be awake in life, than?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

FAÇA-SE A CLAREZA!



>As regras do texto perfeito para escrevinhadores, pelo gigante dos escritores, George Orwell.