sábado, 25 de julho de 2009

PROGRAMA DE RÁDIO

Estava eu, tranquilamente passando a ferro meu tecido estampado da nova bolsa - que está em processo de fabricação - quando então ouço o rádio mencionar o nome de um jornalista da famigerada Folha de São Paulo, o senhor Gilberto Dimenstein. Para efeitos de esclarecimento, eu não estava em nenhum cômodo aleatório da casa, é que o tal do aparelho de som fica mesmo é na lavanderia, onde a doméstica pode utilizar-se dele enquanto executa a tarefa incrivelmente entediante de alisar panos; talvez deixá-lo por lá seja uma gentileza para com a pobre moça que faz este tão duro trabalho na residência.

Então, como a curiosidade é um comichão que vai crescendo e domina por completo, cessando apenas ao ser revelado o conteúdo daquilo que despertou o sentimento, resolvi aumentar o volume. Quem sabe o proeminente intelectual teria algo tocante a dizer, e mais, mal eu tinha noção que ele, como muitos outros profissionais desta área, fazia outra coisa além de ser parte de um conselho editorial do jornal, por isso quis saber o que ele falava na Globo, logo pela manhã.


Neste momento é que ele descarrega um tonelada de críticas em cima do 'jovem'.

Segundo sua opinião pessoal - meramente, é claro - os adolescentes e jovens adultos de hoje em dia estão preocupados demais com o seu estilo, com o seu consumismo, a despeito da leitura e a cultura em si. O que lhes é de maior relevância é o seu 'modo de vida', no qual aqueles que um dia foram os pequerruchos das mamães, agora procuram enquadrar-se em um grupo, uma tribo, seja esta emo, demo ou o inferno; aqueles que futuramente - em questão de poucos anos, ou seja, muito em breve - irão compor não só o mercado de trabalho brasileiro, como também serão parte da sociedade responsável pelas decisões do país, estão - ainda - discutindo apaixonadamente aquilo que já é fato, ao invés de viver a vida, que é simples, que é clara; os meninos e meninas já quase totalmente crescidos, que são o futuro desta nação, estão tão empenhados em contabilizar o número de brincos do rosto, ou de tatuagens espalhadas pelo corpo, que se acabam se esquecendo do seu conteúdo interno. O jovem está com uma seríssima doença de comportamento.





Se meus pensamentos falassem, já teriam dito isto, e há tempos!

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Deste programa de rádio chego à algumas conclusões:

É terminantemente complicado ser um jovem 'normal' nesta época, pois afinal, a imagem de imaturidade/inconsequência/imprudência/descompromisso está tão disseminada entre os adultos-adultos -- os indivíduos que nasceram antes dos anos setenta, com idade suficiente para serem os pais da vez e terem filhos beirando os vinte, pouco mais ou pouco menos -- que quando um pobre alguém decide-se por escapar desta padronização medíocre, não é creditado de confiança em sua 'diferença' dos demais mentecaptos; é simplesmente julgado como se fosse mais um do rebanho que segue a moda.



Buscar aperfeiçoamento de si mesmo e de seu conhecimento soa incompatível com a juventude, é quase como se não fosse adequado para aqueles que são jovens terem um mínino de bom senso, uma tênue noção de mundo que seja coerente e viável; e pior, aqueles que não são adeptos do sexo-drogas-e-rebolation -- que substitui o antigo sexo-drogas-e-rock'n roll -- são marginalizados e levam fama de 'nerds' -- os intelectuais chatos e caretas -- ou pior, simplesmente ficam deslocados de qualquer convívio social que se preze. Voltando assim, à mesma ladainha de separar os de pouca idade por grupos estereotipados.


É mais que verdade que toda fase da vida tem sua crise, mas existe um certo limite para tal desajuste da realidade. Fixar os parâmetros da vida nestes movimentos passageiros - com pinta de culturais - é uma tremenda de uma burrice. É querer traduzir o incerto da personalidade de cada ser humano que é mutável ao longo da vida, em um único padrão, de serventia para diversos indivíduos. Certamente que não há efeito nesta tentativa, e todo mundo fica frustrado: o jovem, por estar sempre desencaixado, o adulto por não entender nada, e a criança por ter pela frente a perspectiva de uma adolescência marcada por engaiolamentos comportamentais.

~ Shall we be awake in life, than?

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