quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

WE CAN BELIEVE IN


ALGUÉM

Alguém consegue me explicar por que me sinto tão sozinha?
Alguém consegue me explicar por que me sinto tão entendiada?
Alguém consegue me explicar por que me sinto tão vazia?!

Será falta de gente?
Será falta de rua?
Será falta de mim?!


Não quero mais viver; não mais, não mais.


*Férias não-felizes.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

FOR A REAL DEAL



~ What will be pointed out in Copenhagen? We shall hope for a real deal.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

TRADUZIR-SE

EU POR ADRIANA>

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim, pesa
Pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte noutra parte
Que é uma questão de vida ou morte
Será arte?
Será arte?

(*)

COMODISMO


É uma boa tirar a cabeça do comodismo! De que serve a cabeça-padrão?


IGUALDADE DE GÊNERO~

Que tal escrever sobre esses assuntos?

- De que forma se expressa, em nossas vidas, a desigualdade de gênero?
- E na escola, meninos e meninas são tratados com diferença?
- Por que são tão grandes as diferenças salariais entre homens e mulheres?
- As mulheres se interessam pelas ciências exatas?
- Onde estão as mulheres indígenas e negras na história e nos espaços de poder?
- O que é feminismo? Os homens podem ser feministas?
- O que você acha do conceito de beleza vinculado pela mídia?
- Você acha que a discriminação racial atinge de forma diferente homens e mulheres?
- Qual a importância da Lei Maria da Penha?
- Sexualidade e reprodução devem andar sempre juntas?
- O que é 'orientação sexual'?
- Meninos e homens também engravidam?
- O que é 'identidade de gênero'?
- As travestis e transexuais sofrem discriminação?
- A homossexualidade é uma das possibilidades de vivermos nossa sexualidade?
- Como as mulheres indígenas e ciganas são consideradas na sociedade brasileira?
- As mulheres da cidade, do campo e da floresta têm os mesmos direitos?


>
"Não se nasce mulher: torna-se"
Simone de Beauvoir

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

BORRÃO

Como é que pude estar tão distante das letras nestes últimos tempos?

Nada escrevia. Nada lia. Nada pensava.
Não conseguia mais fazê-los fluir, queridos vocábulos, nem do habitual jeito tosco, nem de jeito algum. Morriam estancados na superfície da alma. Estavam guerreando lá dentro.

Desde sempre, eu concebera que a única falta que poderia valer com as palavras é falta de papel; não esta tediosa falta de vontade, não está repuganante falta de ideias. Isso seria a tragédia pura para aquele que rabisca e escrevinha e escreve!
E esta doença foi logo me atacar..


-

Também é bem verdade que estive no acalento dos números.
E dos intermináveis exercícios requeridos para o vestibular (eca!).
Eu me deleito nas ciências exatas, sim, mas a felicidade proporcionada pela escrita é incomparável. O êxtase profundo encontra-se em revelar a natureza, a natureza humana através do ato de escrever.
Ah! Que saudade eu estava de me derramar inteira aqui, ali e acolá.


-


Estou novamente aqui.
Que poderia ser mais feliz?
Esta é a vida que quero.


-


Para provar meu estado de espírito lúcido, trago Clarice:


Quero escrever o borrão vermelho de sangue

Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.


Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.


Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.


(*)