E eu escrevo nos lenços; para um dia lhe dar todas as palavras que imprimi neles. Junto com todo o amor que despertei de dentro de mim para te amar.
Sabes que essa coisa de amar e adorar é mesmo ingrata; é, ela é.
Não que seja má, e nem que seja boa. É simplesmente inacessível aos que sentem demais.
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Mas nada de objetividade, eu não sou direta. Não sou pragmática!
Sou entrelaçada entre o sonho e a realidade; imersa naquilo que construí de mim, para mim, em mim. Criança de alma, jovem de coração, velha de mente.
Eu não posso me considerar além de um ser oco e completo pelo vazio; aquele que tudo permeia, e contém toda a imensidão e a eternidade.
Ai como eu me perco na minha densidade! Vou no fundo, já sou o chão. Minha lépida mente brinca no seu caos; dança com a minha perplexidade acerca do mundo, tosco que é, e faz uma mistura única do imaginário, do real, com a minha humanidade latente.
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Sou muitas em mim! E detesto todas elas, nem meu nome posso mais escrever; ele não mais me define. Ultrapassei a barreira do eu; este acabou ficando em um meio de infância, resquício de adolescência, início de adultice. Agora simplesmente sou.
Não me diga que não me entende; e muito menos que intenta seguir neste – aviso já que é mais do que perdido – empreendimento. Nada seria mais tolo e ingênuo. Se o fizeres, jamais sairás do labirinto sem fim, ficarás preso no espelho invisível, e padecerás no reino da dúvida.
Mas, sabes que eu vejo? Enxergo cada pedaço de cada parte de cada característica de cada detalhe de cada minúcia de cada sutileza de cada efemeridade de cada um; sendo extremamente sensível, eu posso tudo ver.
Fico estupefata com a beleza do mísero. Encanto-me, envolvo-me, delicio-me. E aposto agora com você que sou a única a ver beleza no imperfeito; na falha natural. Ninguém se permitiria ser tão abusivamente heurístico.
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Sou uma balança descompensada. Pensar demais, e nada sentir. A tudo sentir, nada pensar. Será que é tão complicado obter um pouco de equilíbrio?